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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Tiny Furniture (by Gian)



A primeira impressão que me deu era que se tratava de um curta-metragem de baixa renda. Atores coadjuvantes amadores, overdubs mal feitos e uma história comum demais para se alongar muito. Fui vendo onde aquilo ia parar e acabei me envolvendo emocionalmente com a personagem principal. Trata-se de Aura, jovem de beleza comum e acima do peso, que acaba de voltar para casa após anos de faculdade em uma outra cidade, onde se formou em Artes e espera que portas se abram para o seu talento.  
Mas as coisas estão difíceis para ela. Sua mãe, reconhecida artista, se “acostumou” a viver em uma casa sem mudanças na rotina, vivendo somente com a filha mais nova, uma adolescente precoce e ambiciosa, visivelmente mais querida. E seu retorno ao ninho não é assim tão festejado como ela esperava. E para piorar, Aura perde o namorado e vai trabalhar em um restaurante simplesmente para que as horas passem mais depressa, para que alguma coisa interessante apareça em sua vida.
Com pequeno orçamento, a diretora Lena Dunham de apenas 26 anos, faz um filme simples, porém carregado de realismo e honestidade, Tiny Furniture retrata alguns verdadeiros problemas que as classes privilegiadas têm e que tentam manter escondidos bem no fundo do armário.
Tão simples que chega a assustar.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Ah se não fosse o amor - parte 2 (By Gian)



Hoje recebi e-mails e mensagens dizendo que é o dia internacional do sexo.
Internet tem essas coisas, inventa, espalha datas e da motivos legais para pessoas entrarem em contato uma com as outras. Mas dia do sexo? Soa estranho. Dia do amor fica mais bacana. Acha que estou sendo brega? Conservador? Será que vou começar a votar no DEM?
Mas dia do sexo!? Sei não, achei bobice. Melhor seria Dia do Amor mesmo! Mas já deve existir, só que nos meus 37 anos de vida nunca recebi nada me parabenizando sobre esse dia. Mas eu acho “amor” mais legal não por todo o romance que gira em torno da palavra, mas pelo fato de ser um sentimento muito mais complicado, devasso, incompreensível e louco que o sexo.
O mais legal no sentimento amor é que ele não admite ser acionado contra a vontade. Outros sentimentos, como o próprio tesão, a tranqüilidade, a alegria, ou mesmo a raiva, é possível, com bastante esforço, trazê-los à tona com algum tipo de pensamento ou meditação, mas o amor não, nunca! Ele é uma das poucas faculdades da alma que se recusa a ser convocado involuntariamente.
Quando falo do amor, não me limito apenas aos sentimentos reais dos namorados e amantes, e nem entro na questão das paixões avassaladores, que já seria outra história. Falo do amor em Lato Sensu, desse sentimento que absorve o coração das mães pelos filhos, dos amigos - sendo eles pessoas ou bicho de estimação - dos namorados, dos unilaterais não correspondidos, do amor próprio, e todo e qualquer verdadeiro amor sentido de um coração apaixonado. Ele nos proporciona beleza e força. E às vezes, para finalidades especiais, quando verdadeiramente inspirado, ele chega a curar doenças.
Eu sempre digo “eu te amo” quando amo, não resguardo essas três palavras por timidez ou orgulho. Freud ensinou que “o amor é a supervalorização”, ou seja, se você visse a pessoa amada como realmente é, não seria capaz de amá-la. Nietzsche escreveu que “no amor a ilusão se justifica”, ou seja, é possível que uma pessoa minta para si mesma quando está apaixonada.
Amar proporciona força e beleza, transforma você, faz você se sentir mais vivo, mais vigoroso, mais completo. Quem não ama não vive por inteiro, apenas uma fração da pessoa está viva, fração essa insuficiente para dar sustentação a uma vida real e feliz. Sexo é tão simples, tão superficial, tão fácil de conseguir. Sinistrão mesmo é o amor. Esse sim merece uma data especial.
Então, feliz dia do amor, mesmo não sendo hoje o seu dia.