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sábado, 12 de abril de 2014

Teias, poeiras e afins (by Fabi)


Que saudades dos anos 80...
Quando a gente brincava de bandeirinha, ou inocentemente de pêra, uva, maçã e salada mista, assistia Chacrinha, quando ouvir Titãs e Paralamas era o ápice do cult! Quando Michael Jackson era negro e dançava Thriller e Madonna escandalizava o mundo com Like a Virgen e a gente adorava ouvir e ficava doida com a Jennifer Beals dançando What a Feeling, ou com Tom Cruise em Top Gun.
Quando vibrávamos com Ferris em Curtindo a vida adoidado, ou com a Blitz de Evandro Mesquita.
Quando "Caiu o muro de Berlim!" anunciou Pedro Bial (no tempo que era jornalista de verdade) eu não entendia muito bem o significado, mas sabia que era algo importante.
Quando quem sabia cantar e dançar "Não se reprima" dos Menudos era popularíssima na escola e sentar na calçada de casa, com a capa do LP do Dominó e escolher quem era o mais lindo era o passatempo "da hora"! Ou quem sabe assistir Beth Balanço 1000 vezes, dançar no ritmo do Cazuza/Barão, rebolando em frente ao espelho, com aquela franjinha estranha, uma tiara da viúva Porcina de Roque Santeiro e um batom vermelho morango. E por falar em espelho...Quantos beijos já não treinamos no pobre coitado, que todo manchado, tinha era história pra contar...
Brincar na rua só era perigoso por causa dos carros, pular corda, amarelinha, elástico, também só eram mais seguros na calçada. Ouvir a Simoni com aquela voz horrorosa no Balão Mágico, afastando a mesinha da sala e dançando com a prima.
Quando assistir He-Man ou Thundercats antes de ir para a escola, com o prato na mão, almoçando e a mãe gritando que já estava na hora de se arrumar, nos deixava loucos. Quando o momento sagrado do domingo era assistir aos Trapalhões.
A gente era tão feliz e INFELIZMENTE não sabia.
Não sabia o que nos aguardava no futuro, quando hoje somos reféns de aparelhos eletrônicos de última geração. Não sabia que quem brinca na rua hoje, pode não entrar de volta pra casa. Não sabia que a qualidade musical cairia ao mais baixo escalão, que as brincadeiras em que as crianças interagiam livremente umas com as outras, seriam substituídas por jogos de tablets ou vídeo games com gráficos inimagináveis para a nossa época.
Ahhh os anos 80...
Onde aprendi a andar de bicicleta, sem nunca ter chegado a ter uma. Onde brincava de Barbie, mas era minha só de mentirinha. Onde jogava Pac man, mas só um pouquinho, pq eram muitos primos na fila... Eu sou saudosista, sou nostálgica, adoro TCM, me amarro em chegar na casa de alguém e ver álbuns de fotos antigas, adoro velharias! Dái meu gosto por História.
Eu queria ter 39 nos 80. Queria ter criado minha filha nos 80. Queria ser professora nos 80. Ter me casado nos 80.
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Eu queria ser feliz nos 80...


"O teu futuro é duvidoso, eu vejo grana, eu vejo dor. Num paraíso perigoso que a palma da tua mão mostrou."



terça-feira, 8 de abril de 2014

Eu mereço? (by Fabi)

Hoje a moda é "Eu não mereço ser estuprada!"
Mas há quanto tempo somos tão desmerecidas por tanta coisa?!

Não mereço, enquanto mulher, ser tratada com desdém quando falo de minhas convicções religiosas.
Não mereço ser segregada por não ter a escolaridade convencional. Há tanto potencial em gente ignorante e tão pouca sabedoria em ditos intelectuais.
Não mereço, enquanto profissional de educação, ter o salário e o tratamento que tenho de meus superiores.
Não mereço ser xingada no trânsito durante uma manobra errônea, pelo simples fato de ser mulher.
Não mereço ser assediada por palavras torpes e chulas, pq me visto sensualmente.
Não mereço não ter direitos.
EU SOU MINHA! A minha dor é só minha, a minha alegria é só minha, meus infortúnios são só meus, minhas mazelas me pertencem,minhas síndromes me tornam quem eu sou.
Não mereço migalhas, quando posso ter um banquete.
Não mereço ser considerada velha/ultrapassada pq estou chegando aos 40. A vida começa aos 40, baby!
Não mereço sentir medo de coisas banais. Ter pânico de trivialidades.
Não mereço morrer.

Enfim, não mereço um tratamento especial por ser eu, por ser mulher.
Mereço um tratamento especial por ser gente. Gente que sente. Gente que ri. Gente que, principalmente, chora.


"E pra dor que rói a carne tesa sobre a pele fina, não há um só remédio em toda a medicina."

O Desejo -Zeca Baleiro/ Chorão - CD O Disco do Ano