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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Justiças e injustiças do Oscar (by Fabi)

Melhor filme - Injustiça
Gostei de Birdman, mas BoyHood merecia ganhar.

Melhor Ator - Injustiça
Michael Keaton estava deslumbrante, saindo do ostracismo de maneira singular, coisa que só grandes diretores conseguem fazer pelo ator, assim como Tarantino fez com John Travolta em Pulp Fiction..

Melhor filme estrangeiro - Injustiça
Apesar de ter gostado de Tangerines, o prêmio deveria ir para Relatos Selvagens. O que prova que nossos Hermanos continuam anos-luz em nossa frente em se tratando de sétima arte.

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Justiças:

Inãrritu - I love you! Mas confesso que lá no fundo, torci para o Wess Anderson.

Juliane Moore - Diva. Já estava passando da hora.

Patricia Arquette - Digna em seu papel , como poucas coadjuvantes que já vi em cena.

J.K. Simmons - Finalmente teve seu talento reconhecido. É um ator fantástico, já desde os tempos de Oz.


A cada ano que passa, me convenço que o Oscar é um engodo.
Vou citar a maior e mais triste injustiça deste ano: Selma. Filme lindo, bem filmado, bem editado, trilha sonora que arrepia, belíssimas atuações, mas acho que não para os padrões "hollywoodianos".
Uma pena.


domingo, 22 de fevereiro de 2015

Biboca, Pipoca e Oscar (By Gian)



É hoje que Hollywood escolhe os melhores de 2014 na premiação da sétima arte mais popular do mundo. A importância do Oscar para o cinema é enorme, consagra diretores, atores, técnicos, estúdios, músicos e tudo mais que você possa imaginar e que tenha algum tipo de relação com o produto final: O filme. Longe de ser a mais justa, é a competição que mais atrai olhares, críticas e dinheiro. O cinema hoje está em festa. O Brasil não está representado em nenhuma categoria, mas nossos hermanos estão firmes e fortes, e com grandes chances de levar o prêmio de melhor filme na categoria de língua estrangeira por “Relatos Selvagens”, longa que ainda não assisti mas que de semana que vem não passa!

Na verdade, eu sempre gosto de fazer antes do Oscar a premiação desse blog, ou seja, de eleger os dez melhores filmes do ano no nosso já tradicional prêmio “Nossa Biboca”. Gosto de postar antes do Oscar que é pra neguinho não me acusar de estar sendo manipulado ou de copiar alguns dos premiados de Hollywood. Dessa vez não terei esse tipo de preocupação, pois já assisti a quase todos os concorrentes das principais categorias, e com exceção de “O Grande Hotel Budapeste” nenhum outro se qualificou a entrar na minha lista dos 10 melhores. Entre os candidatos a filme estrangeiro sim, tenho dois na minha lista que também concorrem ao Oscar, mas como me falta ainda ver pelo menos uns cinco filmes importantes, quero deixar a premiação do “biboca” para o finalzinho do mês. Nada de deixar um ótimo filme de fora não é?  Vocês esperam não é?
Mas voltemos ao Oscar, minha torcida é pelo “Grande Hotel Budapeste” e pelo seu diretor, Wes Anderson, que sou fã de carteirinha há muitos anos. É um filme diferente dos demais, porém com um roteiro originalíssimo, uma fotografia impressionante e um elenco afiadíssimo, ou seja, uma aula de cinema. Os outros, na grande maioria que concorrem ao prêmio principal, são biografias, entre eles destaque para os ótimos “O Jogo de Imitação”, e “Teoria de Tudo”, esse com cara de Oscar mesmo, e parece que foi idealizado justamente para ganhar o de melhor filme. Birdman pode atrapalhar a festa, amo o Iñarrito, mas dessa vez é o mais fraco dentre os candidatos, mas será justo se a equipe técnica levar alguns prêmios e Michael Keaton ficar com o de ator. Em roteiro original são dois que merecem muito, “Hotel Budabeste” como já disse, e “Abutre”, um ótimo filme que lembra os melhores momentos do cinema estadunidenses dos anos 80, e que não sei porque foi quase que totalmente esquecido, só entrando como concorrente nessa categoria, certamente o ator  Jake Gyllenhaal deveria estar na briga e como um dos favoritos. Não vou me manifestar sobre atores e atrizes e seus coadjuvantes, pois não vi alguns dos que estão na lista. Então, boa diversão na noite de domingo, e que os “melhores” vençam.   

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Características da Emoção (by Gian)



A vida em sua forma mais pura, a natureza no comando das ações. Em “OSegredo das Águas, a diretora japonesa Naomi Kawase trás a leveza de uma pequena comunidade oriental banhada pelo mar, e a descoberta do amor por um casal de adolescentes que lidam com problemas sentimentais dentro de casa. Ela, com a notícia da proximidade da morte da mãe, tenta viver cada dia como se único fosse. Ele, que habita com a mãe recém-divorciada que recebe mais de um namorado dentro de casa, lida com o ciúme e o ódio mesclados com amor. Os sentimentos se inflamam quando um corpo é encontrado na praia, e a questão morte é se evidencia ainda mais na realidade dos personagens.
O filme é de uma leveza característica da filosofia oriental, com uma paz visual relaxante e uma belíssima trilha sonora. A união de uma família embaixo de uma árvore na certeza de que aquele momento de felicidade será o último. A dor e a culpa de um filho depois de uma injusta briga com a mãe. A fuga na passagem de um tufão. E a sabedoria oriental de um velho ancião que percebe que sua maior função agora é não dar trabalho aos mais jovens e que crê que até Deuses morrem.
Sem querer se aprofundar em nenhum tema polêmico e mostrando a simplicidade de pessoas em suas vidas normais, Naomi Kawase usa da inquietude juvenil para nos dar uma bonita lição sobre família, amor, maturidade morte e sexo. Um pouco de paz interior na sétima arte.

Nota 8,0

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Cínico e Calculista (by Gian)



Não sei se é um defeito ou uma qualidade, mas o fato é que Iñárrito é transparente demais em seus filmes, e seu olhar pode ser de uma doçura angelical ou de uma frieza cruel, dependendo do tema ou dos personagens que passam por suas mãos. Não é difícil notar em seus filmes esse vínculo emocional com seus personagens, ele os cria com o propósito de ser seu único dono, e como um Deus único os pune, perdoa ou  absolve, não sem antes dissecar minuciosamente seus sentimentos, defeitos, erros e temores. Em "Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)", Iñárrito é e faz isso tudo, mas em vez da frieza costumeira ele opta pelo cinismo cruel, e sua transparência pode ser até questionada pela irrealidade das passagens surreais em que Riggan Thomson  (Michael Keaton) se esconde por trás do herói que dá nome ao filme, mas mesmo aí nos vemos diante de uma obra com críticas pesadas e diretas, e dessa vez o diretor mexicano não extrai suas premissas de nenhum bando marginalizado em uma cidade subdesenvolvida nem de estrangeiros ilegais tentando a sorte em um mundo mais atrativo, ele sobe às camadas sociais invejadas e cultivadas pelo público comum e sem piedade desconstrói ao mesmo tempo broadway e hollywood. E não para por aí, ao colocar alguém que interpretou Batman para o papel de um ator que está praticamente morto para o cinema e que só vai fazer teatro para se reencontrar com público e crítica para alavancar carreira e fazer o quarto filme da saga do Birdman, Iñárrito além de dar nomes aos bois expõe o lado escuro do estrelato e do poder irresistível do dinheiro, que mais faz mover a indústria cinematográfica para o lado da ambição financeira do que para o lado artístico e talentoso. E esses propósitos ficam claros na construção das personagens, somente o de Michael Keaton é que foi trabalhado na totalidade, a ponto de sabermos seus medos e frustrações, os outros são os coadjuvantes que fazem parte da humilhação, colaborando, inspecionando, opinando ou acompanhando as ambições do “herói” da história. O diretor atinge o objetivo que perseguiu, ele é bom nisso, e através de uma fotografia maravilhosa e de uma edição espetacular ele percorre com maestria os corredores e adjacências de um teatro e assim pinta um mundo cercado de cobiça, inveja, intriga e interesse. Mas o filme é bom? Não sei dizer, a parte técnica sim, sem dúvida, os atores também estão impecáveis, principalmente Keaton. Mas o todo, a união dos fatores, me deixou com uma sensação estranha de confinamento, de mal estar, de vontade de que acabe logo para eu fazer outra coisa que não me perturbe a cabeça. Iñárrito criou um mundo de personagens vis que no fim das contas acabam se dando bem porque pertencem a um mundo onde os valores estão nivelados cada vez mais por baixo, visto por um publico brutalizado que aplaude notícias de tablóides de fofoca e esperam pelo próximo enlatado mais curtido pelas redes sociais. Não sei que gosto de ver isso.
Nota 7,0

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Sob o Cuidado Humano (by Gian)



O que pensam os soldados, os combatentes do front de uma guerra a respeito da mesma? Quais são seus ideais? Por que estão ali? Patriotismo, defesa do território pelo qual se acha devido? Dinheiro no final das contas? Lavagem cerebral das forças militares? O que é uma guerra?

O filme é estoniano e tem um nome curioso “Tangerinas”. É de guerra, mas não se passa em um campo de batalha, não tem canhões ou tanques se explodindo. O palco principal é um vilarejo quase deserto, que só não está completamente vazio porque um senhor decidiu ficar em casa pelas lembrança que ali se encontram, pela nostalgia de um recente passado feliz, onde atualmente a guerra local fez com que todos os moradores se mudassem. Seu único companheiro é o vizinho, cultivador de tangerinas que apesar do amor pelo trabalho que exerce também está de mudança, cansado de não ter comprador para suas colheitas ou pessoas para um convívio normal. A vida dos dois sofre uma repentina mudança quando dois carros militares em perseguição e tiroteio sofrem um acidente bem em frente à suas residências, e dois feridos, de nações diferentes (portanto inimigos) são resgatados e cuidados pelos moradores.
Com um roteiro simples; ora cômico, ora tenso; o filme nos leva pra dentro da casa de um senhor tranqüilo, que leva uma vida de paz e sossego, até que salva a vida de dois homens que quase se mataram por uma causa que não conhecem bem. O ódio irracional de um pelo outro e a cordialidade de um desconhecido, as palavras sábias de quem vivenciou outras batalhas, as razões e as injustiças de uma guerra onde à vida perde o valor por disputas de poder em instâncias inacessíveis para a maioria; tudo isso é posto em mesa de modo tão aberto, que torna esse filme uma das grandes surpresas do ano. Simplesmente imperdível.
  Nota 9,0