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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Albert Nobbs (by Fabi)

O que vc faria para sobreviver numa sociedade machista sendo mulher? Numa época, em que uma mulher não poderia exercer funções destinadas a homens? Como manifestar sua homossexualidade em pleno século XIX?

O novo longa do colombiano Rodrigo García ("Coisas que eu poderia dizer só de olhar pra ela", "Destinos Cruzados"), nos apresenta Mr. Nobbs, um silencioso e tímido garçon de uma pensão na Irlanda, que tem o sonho de abrir uma tabacaria e para isso economiza cada centavo que ganha para realizar tal sonho, interpretado brilhantemente pela excelente atriz Glenn Close. Numa sociedade rígida e intolerante, uma mulher (Albert Nobbs) se disfarça de homem para poder sobreviver. Sua vida começa a mudar, ao conhecer Hubert (Janet McTeer), suposto pintor contratado pela dona da pensão, mas que na verdade também é uma mulher, e que vive a mesma situação que ela. Sendo casada com uma outra mulher, Hubert, torna-se então um exemplo a ser seguido por Nobbs.

À partir daí, Mr.Nobbs começa a vislumbrar para si uma nova vida, tal qual a da amiga. Ele, que é secretamente apaixonado pela jovem empregada Helen Dawes (Mia Wasikovska), começa a acreditar que é possível conquistá-la, casar-se com ela e iniciar um lar.

O filme recebeu algumas críticas negativas quanto ao roteiro, não correspondendo às expectativas de alguns, mas a memorável performance de Glenn Close, é um dos motivos mais do que suficientes para conferir o longa. Depois de "Atração Fatal" e de ser uma das atrizes de maior prestígio nas décadas de 80 e 90, sendo indicada ao Oscar 5 vezes, ela ficou um longo tempo ofuscada, quase caindo no ostracismo. Albert Nobbs coroa a volta de uma atriz completa, uma das melhores, em minha humilde opinião. Sua intocável interpretação, é um show à parte: a doçura no olhar, os gestos, a fala mansa e comedida, dão ao filme a dimensão dos sentimentos e desejos da personagem. Chamo à atenção para a cena na praia, onde Albert e Mr. Page, vestem-se com vestidos. Fantástica!

Indicada ao Oscar 2012, como melhor atriz, tem toda a minha torcida, muito embora eu ache que Meryl Streep leve a estatueta por sua também brilhante atuação em "A Dama de Ferro". Já Janet McTeer concorre na categoria de melhor atriz coadjuvante e tem grandes chances.

Acho uma pena, uma veterana e magnífica atriz como Glenn Close, ser rotulada em Hollywood como mais uma integrante da lista dos mais indicados ao Oscar, sem nunca levar...

A Academia poderia levar isso em consideração esse ano....Fico na torcida!

domingo, 22 de janeiro de 2012

We are the World? (by Fabi)

Tenho me feito uma pergunta ultimamente: estaria o mundo perto do fim? O apocalipse já estaria se cumprindo? As aberrações as quais temos assistido seriam os sinais do fim dos tempos? Pq é impossível assistir passivamente, à degradação das pessoas, das coisas, dos princípios e achar normal. Tudo parece estar de cabeça p/ baixo. Que legado nossa geração deixará às gerações vindouras? O Brasil pára para assistir a um programa de TV que, durante anos ganhou notoriedade, enclausurando jovens numa casa, embebedando-os em suas festas, para que após isso, façamos julgamento de sua conduta. Até que, finalmente, tal programa entra para as páginas policiais, com a suspeita de um estupro. Uma pedagoga, pessoa teoricamente instruída, uma educadora, usa a mídia para forjar uma gravidez de quadrigêmeos, fazendo uso de uma gigantesca "barriga" de silicone para fortalecer sua mise-en-scéne. Uma enfermeira, pessoa diretamente ligada à preservação da saúde e da vida, tortura e mata um cãozinho da raça Yorkshire, diante de uma câmera e de seu filho. A citação de uma pai num comercial de TV de que a filha estaria viajando, torna-se, simplesmente, o BUM da Internet. As redes sociais, alguns programas de televisão, pessoas nas ruas, só falam da Luísa que estava no Canadá. Para onde estamos caminhando? Que rumo nossas vidas estão tomando? Onde foram parar os princípios, o caráter, o amor das pessoas? Como estamos ocupando nosso tempo? A imprensa, a mídia em geral, supostamente grande formadora de opiniões, está formando o que? O brasileiro se interessa por futilidade, aplaude idiotices, faz coro com anormalidades. Quando alcançaremos um nível intelectual respeitável? Quando assuntos como BBB, "Luísa que está no Canadá", as fofocas do Facebook, deixarão de fazer parte de nossa rotina? Quantos livros lemos por ano? Qual foi a última vez que ajudamos efetivamente o nosso próximo? Quantas vezes em 1 ano, paramos para fazer uma oração? Uma prece? Agradecendo ou pedindo a Deus, por tudo o que temos, ou por quem amamos? Qual foi a última vez em que fizemos alguém feliz?
Se o mundo hoje está em crise, é pq o ser humano adoeceu há tempos. Procuremos a cura!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Crise + Bomba + Destruição = MONEY (by Gian)


Quando se fala em Bomba Atômica vem logo na cabeça as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki sendo dizimadas pela covardia estadunidense, lembrança triste de um passado recente. E semana passada a tal bombinha voltou a ser discutida abertamente nos jornais, já que os EUA ameaçaram jogar algumas no Irã, sobre o velho pretexto de sempre, ou seja, aniquilar supostas instalações nucleares que Mahmoud Ahmadinejad pretende usar para fins bélicos. Mesmo papinho mentiroso que os EUA usaram para justificar a invasão ao Iraque nove anos atrás, e cadê as armar nucleares iraquianas? Até agora ninguém achou e todos sabem que o que queriam mesmo era o petróleo de Saddan Hussein e o controle do país.

A verdade é que esse assunto de bomba atômica, invasões e destruição têm como verdadeiro objetivo arrecadar capital para a crise financeira que assola a economia mundial, principalmente na Europa e nos EUA. E quer coisa mais rentável para os Estados Unidos do que uma guerra? Os maiores produtores de armas do mundo estão falidos, precisam urgentemente vender e negociar. E um país destruído (no caso o Irã) vai precisar ser reconstruído, e isso movimentará bilhões de dólares e milhões de empregos. Pode não resolver toda a crise, mas que vai dar uma boa aliviada, isso vai.

Todavia, no fundo no fundo, os EUA sabem que essa saída não é tão fácil assim. A invasão no Iraque valeu a vida de mais cinco mil soldados estadunidenses, e o principal objetivo da guerra – impor um governo forte e ao mesmo tempo submisso às ordens Ianques – não foi, nem será atingido. E com Afeganistão o buraco é bem mais embaixo, os EUA nem sequer têm tropas militares em Cabul, e para piorar o que já é ruim, eles estão exportando o conflito para o vizinho Paquistão (que não gostou nada da idéia de explosão tóxica na casa ao lado – aqui também venta). E o Pasquitão heim, ah, esse sim, potência nuclear sabida por todos e que antigamente foi treinado por tropas da CIA para fazer guerra com os vizinhos.

"Faz-se a guerra quando se quer, põe-se-lhe termo quando se pode."
( Nicolau Maquiavel )

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Troféu Biboca 2011 (by Gian)


Chegou o grande momento da premiação de cinema mais importante de toda blogosfera mundial! Já devia ter sido realizado, mas como tinha muita coisa ainda pra assistir, atrasei dez dias. Mesmo assim ficaram faltando filmes com boas chances de entrar na lista e que não deu tempo pra ver, como por exemplo “O Palhaço” de Selton Mello, diretor que já demonstrou talento suficiente em seu longa de estréia, o ótimo “Feliz Natal” de 2008. Não deu tempo, e a lista deste ano não terá filmes nacionais. Então, os 15 melhores do ano são internacionais. Só comentarei sobre o campeão de dois mil e onze, os outros concorrentes só serão anunciados, evitando assim, um texto longo demais. E agora, chegou o momento, tcham-tcham-tcham-tcham: - E o Troféu Biboca de Cinema 2011 vai para: O CAVALO DE TURIM, de Béla Tarr.

O Cavalo de Turim ( Hungria) – Não foi exatamente uma surpresa, Béla Tarr é um diretor que está à frente do nosso tempo. Fico imaginado em 1968 as pessoas saindo do cinema ao término da exibição de estréia de “2001” de Kubrick, nunca mais a ficção científica seria a mesma. Hoje temos poucos diretores que nos fazem sair do cinema maravilhados e boquiabertos pela beleza de um cinema de alto nível, e Tarr com seus 56 anos de idade faz isso. Não é a toa que em seus 33 anos como cineasta já conquistou mais de 15 prêmios internacionais, entre eles Cannes e Berlim.

O Roteiro aborda um curto período da vida do filósofo Friedrich Nietzsche, em que já se encontrava idoso e doente e foi viver sob os cuidados da filha numa casa isolada e sem quase nenhum contato com qualquer outra pessoa.

O filme começa com a narração de um fato que aconteceu com Nietzsche em 1889, em que ao testemunhar um homem espancar um cavalo o filósofo se atira ao pescoço do animal interrompendo a agressão aos prantos. A partir daí o filósofo parou de escrever, e muitos acham que ele enlouqueceu. Nietzsche morreria dez anos depois. Segue um diálogo do filme em que um homem chega à sua casa a procura de bebida:

“Tudo se degradou e vai virar ruína, mas eu não diria que se arruinou sozinho. É o julgamento do homem sobre si mesmo no qual Deus está envolvido, ou, atrevo-me a dizer, Ele tem um papel ativo. Os homens adquirem tudo de maneira encoberta, furtiva, degradam tudo. Qualquer coisa em que eles põe as mãos – e eles tocam em tudo – eles degradam. Adquirir, degradar, adquirir. Tem sido assim há séculos. Eu me enganei ao achar que não haveria mudanças na terra. E essas mudanças estão acontecendo.” Deixa disso, isso é tolice – Responde Nietzsche.

A Arvore do Amor (China) – de Zhang Yimou

A Pele que Habito (Espanha) – de Pedro Almodóvar

Dos Homens e dos Deuses (França) – de Xavier Beauvais

A Separação (Irã) - de Asghar Farhadi

6º Tomboy (França) – de Céline Sciamma

O Homem do Lado (Argentina) – de Mariano Cohn e Gastón Duprat

Meia-noite em Paris – (EUA) – de Woody Allen

Não me abandone Jamais (Inglaterra) – de Mark Romanek

10º Poesia (Coréia do Sul) – de Lee Chang-dong

11º Em um Mundo Melhor (Dinamarca) – de Susanne Bier

12º A Árvore da vida (EUA) – de Terrence Malick

13º Um Conto Chinês (Argentina) – de Sebastián Borensztein

14º Cópia Fiel (França) – de Abbas Kiarostami

15º O Garoto da Bicicleta (Bélgica) – dos irmãos Dardenne

Ps. Alguns filmes da lista são anteriores a 2011, mas só chegaram por aqui no ano passado.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Inquietos (by Fabi)



video


Do aclamado diretor Gus Van Sant, de obras primas como Gênio Indomável e Milk, Inquietos , à princípio me fez pensar no seguinte: de que eu ainda não tinha visto a morte ser tratada com tanta leveza, tanta delicadeza, quase com indiferença, no cinema. Mostra a morte, que permeia praticamente todas as cenas do filme, o amor, fantasmas, mas sem os clichês, ou o pieguismo de filmes como Ghost, Tudo por Amor e outras coisas açucaradas que vemos por aí. Annabel, doente em fase terminal de câncer e ciente dos poucos meses que lhe restam, feliz por essência, com fome de vida, conhece Enoch, rapaz depressivo, que sempre em companhia de seu amigo imaginário/fantasma Hiroshi, piloto Kamikase da 2ª Guerra Mundial, torna-se visitante assíduo de velórios de desconhecidos e que ao contrário de Annabel perdeu o gosto e o respeito pela vida após a morte de seus pais num acidente de carro. Sem grandes segredos ou revelações surpreendentes, a história se desenrola com uma delicadeza particular, sem a pretensão de causar lágrimas de tristeza ou nos deixar com aquele vazio peculiar no final em filmes do gênero. Gus Van Sant nos envolve de forma distinta e com graça juvenil em Restless (Inquietos).



Anda faltando meiguice e doçura em sua vida? Assista à Inquietos!

Que espécie de aniversário é esse que nada tem pra escrever? (By Gian)

Hei de procurar o tema na TV, no periódico. Para me deitar nele. E que importa se não aja nada de bom? Arrastem-me convosco para as covas onde moram, coloquem-me na garupa do mundo até à pobreza a visitar a fome, a morte, os envelhecimentos. O que é idade? Quantos anos passaram? Sete, quarenta e nove, trinta e sete, trezentos, nenhum? A maré recuou tão devagar que sempre a sinto e tão depressa que jamais a senti. O novo e o velho ao mesmo tempo. É como uma febre que toma o lugar das vísceras, qual fígado, qual pulmão, qual estômago. Podridões vegetais, desabamentos, quedas. Abre-se os olhos aparecem, fecha-se e somem. Sou o contrário de todos, daqueles que não pensam, não lamuriam, não sofrem, emudecem, agradecem.

Há momentos que me sinto tão só que tudo grita o meu nome me querendo, como antigamente meu pai a chamar-me no quintal:

- G-I-A-N-C-A-R-L-O

Onde me escondia num cantinho entre muro e bambuzal que costumava fazer pipa. Ajoelhado a terra a chorar de rir com formigas, respirando o cheiro misturado do meu cheiro de forma que eu era terra e natureza também. Mexendo em gravetos e folhas sem pensar em nada, sem vontade de nada, só rindo do meu sumiço, e a minha mãe enorme porque adultos enormes:

- G-I-A-N-C-A-R-L-O

Enorme como eu agora, trinta e sete, sete, quarenta e nove, trezentos, nenhum, que diferença faz? Idade, ano, invenção humana. O cão tem sete mas para ele é quarenta e nove por que multiplica por sete. Um dia igual ao outro para todos, sete. Há outros mistérios mais empolgantes do que números, datas e anos, sentimentos cujas origens nos escapam, que nos esforçamos em vão para descobrir de onde vêm.

Sete anos no quintal, trinta e sete aqui, na cadeira, com o apartamento todo me voltando contra o peito, e no entanto o mesmo muro a esconder-me da onda, aquela vinda do fim do mundo e que não acaba nunca, tentamos vê-la e não vemos, sem espuma, sem reflexo, humilde. Só muro me protege, mas me chamam, eu ouço:

- G-I-A-N-C-A-R-L-O

XXXVII as X.