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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Apprentice" (Aprendiz)


O longa é uma produção de Singapura dirigido pelo estreante Boo Junfeng, que conta a história de um jovem que vai trabalhar em uma penitenciária de segurança máxima de Singapura e logo é "contemplado" para ser estagiário do homem que faz as execuções dos condenados à pena de morte no local. A questão  moral, política e ética vem implicitamente a toma, visto que, o pai do rapaz, num passado remoto, foi executado pelo seu atual chefe imediato. Você encararia esse novo emprego nessas condições?
O filme explora o comportamento humano dentro de um sistema que modula seus próprios conceitos e preconceitos.
Nota 8,0

"Ilegítimo (Ilegitim)"


Esse filme romeno aborda dois temas incômodos: Aborto e incesto. O diretor Adrian Sitaru nos coloca inicialmente dentro de uma sala em uma mesa de almoço onde os filhos questionam o pai sobre ser verdade ele ter denunciado outros médicos pela realização de abortos na época do regime comunista de Nicolae Ceausescu, o assunto se torna caloroso quando pai confirma a notícia, mas diz que o fez por convicções ideológicas. Posto contra parede e pressionado pelos filhos idealistas, principalmente pela filha que estuda filosofia, o pai sai de casa, mas não sem antes contar que foi graças a sua atitude de ser contra o aborto que os dois filhos gêmeos estão no mundo, pois a falecida mãe queria tirá-los ao saber que estava grávida de dois. Com enquadramento um tanto irregular, câmeras próximas e zoons frequentes, a fotografia coloca o espectador como voyeur dentro uma família que lida com suas próprias inseguranças, dúvidas e medos. A narrativa se torna imprevisível, e os diálogos e defesas das diferentes posições são colocados de modo franco sem uma aparente parcialidade da produção. O filme participou das mostras do festival de São Paulo e de Berlim, ambos em 2016. Nota 8.0

terça-feira, 12 de setembro de 2017

"Sabina K"

Filme sérvio que no ano passado saiu vencedor de melhor longa no recém criado festival de cinema de Belize.  A História é baseada em fatos verídicos: uma mãe divorciada com dois filhos que se apaixona por um velho amigo, um combatente da guerra de independência da Herzegovina em 2004. Os problemas começam pela religião, ela muçulmana e católica não é aceita pela mãe conservadora dele, e para piorar engravida no mesmo momento em que o pretendente a noivo desaparece!
Sabina, interpretada impecavelmente por Alena Dzebo, sofre com todos os preconceitos que uma mulher pode sofrer, seja cultural , religioso e sexual, e chega ao fundo do poço de morar na rua grávida de oito meses e meio. Impossível não se sensibilizar com a história de luta e fé dessa mulher, todavia, não gostei do formato do filme, achei que o diretor tenta nos comover demais em algo que em si já leva uma carga muito pesada de emoção! E a interpretação  de Alena, por si só, já nos põe de cara com toda a  sua dor e o enorme preconceito de uma sociedade machista e patriarcal!
Nota 6,0
 

I Ekrixi (A Blast)

O cinema grego - não sei se influenciado pela crise econômica - vem fazendo ultimamente produções barra pesadas que vem me chamando a atenção dos principais festivais do mundo. O diretor Yorgos Lanthimos, por exemplo, já figura entre os melhores cineastas da atualidade. Nessa linha de gênero, aparecem cada vez mais filmes que tratam da questão social do país intimamente ligada às relações familiares. “A Blast” de Syllas Tzoumerkas é um filme agressivo com cenas bastante realistas, que fala do impacto psicológico que a falência de uma loja trás a uma família, principalmente na personagem Maria, esposa e mãe de dois filhos pequenos que resolve deixar tudo pra trás quando percebe ter uma dívida impagável com o Estado, e de não ter a capacidade de lidar com a crise e com os problemas que começam a surgir oriundos da falta do dinheiro: seu marido trabalha embarcado, sua mãe é paraplégica e lhe culpa por todos os erros, e sua irmã e principal companheira é casada com um fascista de uma extrema direita em ascensão. Um roteiro sombrio em cores brilhantes e paisagens bonitas, com cenas de sexo explícito e fúrias de desespero.
Nota 7,0

4:44 - O Fim do Mundo



A perspectiva do fim do mundo sempre deu enredo para uma infinidade de produções de várias nacionalidades. Os EUA vêm tratando desse tema desde os primórdios do cinema, e na maioria das vezes com muitas explosões e efeitos especiais. Aqui a abordagem é diferente. O Diretor Abel Ferrara trata do assunto pelo ponto de vista de uma Nova Iorque desleixada, quase que ausente perante a notícia de que não haverá mais o dia de amanhã. O filme se passa quase que inteiramente em um apartamento, onde o casal Shanyn Leigh (Skyie) e Willem Dafoe (Cisco) aguardam o momento em que a terra irá pelos ares, as 4:44 da manhã. Ambos se confortam em passar as últimas horas fazendo o que gostam, ela pintando um quadro, se dedicando ao budismo, ele cheirando cocaína, ambos trocando energias e prazeres na cama. Provavelmente estamos diante do filme catástrofe mais sereno que há na história, sem pânico ou luto, apenas a afirmação daquilo que todos já sabem: que acabou tudo isso. Nota 7,0

domingo, 10 de setembro de 2017

“O Cidadão Ilustre”

Daniel Mantovani (Oscar Martínez) é um renomado escritor argentino que saiu ainda jovem do país para tentar a carreira na Europa, chegando ao auge de ganhar o cobiçado prêmio Nobel de Literatura. Cansado das grandes homenagens e festas do velho continente, Daniel resolve voltar a Salas, a pequena cidade do interior em que nasceu, e que nunca mais retornou.  A partir daí o roteiro traça uma saborosa e ácida linha entre as primeiras homenagens e “babações de ovos” ao ilustre cidadão da cidade, até os problemas, que começam a surgir quando o escritor diz o que realmente pensa, sem papas na língua. Uma bela comédia de humor negro que mostra o contraste de uma figura pública com pensamentos além do seu tempo,  em uma cidade rural carregada de preconceitos e mau gosto. É o herói, que aos poucos vai se tornando hostil, a ponto de ser o principal inimigo da população da sua própria cidade natal.  Filme premiado no último Festival de Veneza com o Leão de Prata para Daniel Mantovani, e o prêmio especial do Júri para os diretores Mariano Cohn e Gastón Duprat. Nota 8,0

Cães Selvagens (Dog Eat Dog)

Paul Schrader é um nome de respeito em Hollywood. Ele foi roteirista de dois dos principais filmes de começo de carreira de Martin Scorsese, os sensacionais “Taxi Driver” e “Touro Indomável”, e mais pra frente ainda assinou o roteiro de outros dois filmes do diretor, “A Última Tentação de Cristo” e “ Vivendo no Limite. Schrader escreveu filmes para Brian de Palma, Sidney Pollack e Peter Weir, todavia, nunca brilhou como diretor, nunca dirigiu muito bem seus próprios scripts. E dessa vez não foi diferente, “Cães Selvagens”,  onde assina o roteiro em parceria com Matthew Wilder, da até a impressão de termos uma história boa em tela: três parceiros de crime que se ajudavam na prisão recebem uma ótima proposta de dinheiro para sequestrar um bebê, que servirá de extorsão para um outro grupo de criminosos, mas os planos dão errado desde o começo. Todavia, o que dá mais errado, é a forma com que Schrader mostra a história. Para começar, o filme tenta, sem nenhum sucesso, ter um formado parecido com os primeiros filmes do Quentin Tarantino: estilo informal que mistura tons e estética sem determinado nexo causal, violência gratuita e sangue explícito. Faz uso de uma história que quebra esquemas e previsões,  com surpresas a cada cinco minutos nas atitudes dos três bandidos. Contudo, ao contrário dos vilões carismáticos de ”Cães de Aluguel” e “ Pulp Fiction”, os personagens aqui tem reações demasiadamente  inverossímeis, e a inteligência dos policias que os perseguem fazem vergonha até mesmo aos fãs dos jogos de Vídeo Game GTA. Nicholas Cage se esforça e está bem, mas é engolido pela interpretação monstruosa de Willem Dafoe, uma das únicas coisas que valem a pena no filme.
Nota 3,0