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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Isolamento Interior (by Gian)



Pelo segundo ano consecutivo Cannes entrega seu principal prêmio para um filme com mais de três horas de duração. Em 2013 o sensacional “Azul é a cor mais quente” levou o cobiçado prêmio como um caliente filme LGBT com longas e belas tomadas de sexo explícito entre duas mulheres, ótimas atrizes por sinal. Dessa vez os longos e arrebatadores diálogos de “Winter Sleep” parecem ser os fatores que mais seduziram os críticos de Cannes. 

A duração se justifica pela forma como o diretor nos apresenta as personagens. Uma pedra é jogada na vidraça de uma caminhonete em movimento, quase causando um sério acidente, o homem no banco carona corre e pega o menino que atirou a pedra. A partir daí as histórias de diferentes pessoas de um vilarejo começam a se cruzar, tendo como personagem principal Aydin, dono de um hotel e figura respeitadíssima na região, já que está no topo das classes sociais e cujas atitudes acabam tendo reflexo na vida dos demais moradores, já que a maioria é inquilino dele, que também é proprietário de grande parte das residências locais.
Sem querer me adentrar nas questões principais que envolvem o drama, o filme foca nos problemas emocionais de Aydin, um ex-ator que agora tem uma vida confortável nas montanhas e dirige um hotel para turistas ricos. A necessidade de manter as aparências em ordem o leva a tentar restabelecer um fracassado casamento com a esposa jovem e bonita, cobiçada por um grupo de professores que tenta recursos para construir uma nova escola na região.
Winter Sleep é um filme em que as conversas íntimas e reservadas entre as pessoas mostram o que elas pensam quando não estão se expondo, quando não estão sendo ouvidas por terceiros. Lembrou-me bastante alguns dos filmes do diretor sueco Ingmar Bergman, em que os diálogos despem o caráter do indivíduo. A relação marido e mulher, irmã e irmão, proprietário e inquilino, rico e pobre, é desenvolvida sob o ângulo público e privado, e a diferença de trato pode ser considerada como a essência do longa. A fotografia é magnífica, feita nas regiões montanhosas da capadócia, inspirada em três contos de Tchekhov em que o diretor turco Nuri Bilge Ceylan parece ter ficado tão hipnotizado que omitiu pra todo mundo, inclusive para esposa, que já havia terminado suas filmagens pra ficar curtindo mais um pouquinho o visual divino do lugar, e que podemos desfrutar durante três horas nesse magnífico drama vencedor da Palma de Ouro em Cannes!
Nota 9,0

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Ahhhh Ridley...! (by Fabi)

Eu sou uma super fã de filmes em 3D. Me acomodo na poltrona, ponho o óculos, me arrepio, me emociono e tudo, pq eu considero uma das maiores inovações já existentes em termos de 7ª arte. E eu criei tantas expectativas com Êxodo - Deuses e Reis, mas tanta, que eu cheguei ao cinema em cima da hora da sessão e fui capaz de abandonar meu amigo que chegou depois e , consequentemente, ficou sem ingresso. Corri por todo o saguão, subi as escadas rolantes correndo e finalmente cheguei. Ansiosa, mãos suando, coração acelerado (só entende quem gosta).
Parecia uma criança quando o filme começou: sorrindo e lacrimejando comecei a ver retratada na tela, uma das histórias bíblicas mais lindas que conheço. Detalhe: conheço e acredito.
Mas o que tinha tudo para ser o Ben-Hur dessa década, foi aos poucos, se tornando um filme cansativo, com uma belíssima fotografia, mas mal editado e o principal: sem ter como parâmetro a Bíblia, de onde se origina a história. Fatos que não constam na Bíblia, algumas inovações, pq como um mestre do cinema, ele tem esse direito, mas não foi fiel. E fidelidade à um best seller é tudo!
Aronofsky fez pior com Noé, mas você é o cara, Ridley!!!!!!!!


terça-feira, 6 de janeiro de 2015

trinta e poucos anos ou mais (by Gian)



Aniversariar no sétimo dia do ano é uma coisa estranha, o reflexo das festas de natal e reveillon ainda está pululando no sangue da gente, as pessoas ainda estão em ritmos de feriado prolongado e o mundo parece que não acordou para dar alguma importância para a sua data comemorativa. Porém o mais estranho é entrar na quarta década de vida se sentido ainda na segunda. O corpo vai envelhecendo, vai mostrando sinais de mudanças ao impor certos limites, mas a mente insiste em rejuvenescer, o tesão pela vida parece maior, a vontade de saber parece que cresceu como aquela que crianças recém apresentadas ao mundo tem na fase dos porquês. Uma estranha paz parece querer espaço em locais do meu corpo onde até então a morada da agitação era bem vista pela vizinhança, e o mais extraordinário nisso é que a mente consegue ajustar essas transformações de forma a sobrar espaço, tempo e vontade para outras coisas que eram mais importantes em outras épocas e que agora podem ser usufruídas de forma mais prazerosa quando desejadas. Ser jovem é saber envelhecer, acho que essa frase do menestrel do Brasil só é entendida à medida que passamos a ter mais controle sobre o nosso corpo do que vice e versa. Recomeçar é sempre importante quando temos o conhecimento e a sabedoria de saber o que deve ser deixado pra trás e o que deve seguir conosco, mesmo que o excesso de peso possa causar algum incomodo durante a nova viagem. Temos sempre que avaliar bem o peso da balança antes de decidir pelo descarte. Sigamos pela estrada, com um olho no horizonte e outro no retrovisor, curtindo as paisagens e aprendendo com acidentes. E se a tempestade tentar atrapalhar o percurso, nada melhor que se jogar na chuva e se molhar com as surpresas que nos é apresentada. Estressar-me nessa idade que entro? Dispenso. Cabelos brancos só pela a idade. Que 2015 traga bons 40 anos de paz, e que outros 40 possam vir com  saúde e sabedoria.  É o que me desejo no dia de hoje. Sete do um de dois mil e quinze. 
Eu tenho um coração de mãe.