Sejam Bem-vindos

Ideia, cinema, literatura, opinião, crítica, política, Direito, dia-a-dia - Um espaço para escrever, relaxar e soltar o verbo.
A preocupação é deixada de fora.


Sinta-se em casa!




domingo, 22 de abril de 2012

Que menininha mais fofa (By Gian)


Quem curte cinema somente por diversão quer das duas uma: ou um bom roteiro, seja ele de qualquer gênero, ou ação frenética, limitando aqui gêneros tipo aventura, policial e faroeste.
Certos filmes não precisam de nada disso para ser bom, bastam ter uma proposta diferente ou ousada, desde que ao seu término satisfaça o espectador naquilo que prometeu. O terceiro longa do diretor espanhol Achero Manas promete muito e não faz nada.

"Tudo que quiseres" é um filme que tenta, pelo menos na sinopse, te passar um roteiro original, mas que não se mantém por muito tempo ao assistirmos, beirando ao absurdo.
Um homem normal, com seus problemas familiares normais sofre o baque da morte repentina da esposa e fica incumbido de cuidar da filhinha de quatro anos que não aceita a perda; alias, vale aqui uma ressalva, o filme só se mantém até a morte da mulher (que até comove com a solidão do sentimento de perda infantil no parquinho da praça). Depois disso nada se firma num roteiro lotado de furos e absurdo. Explico: a criança quer uma mãe, uma presença feminina, e até procura essa proteção nas possíveis namoradas do pai, explicitando isso ao máximo. O pai não quer nada com outra mulher, pois ainda sofre a perda, até aí tudo bem. Mas de repente, e do nada, a filha pede para o pai se vestir de mulher - e depois de pouca conversa - o cara se pinta e passa a ser a mãe pelo resto do filme. O ridículo não está na atitude, que poderia até ser camuflada pelo momento de dor em que ambos passam, e sim na forma como o roteiro faz tal transição, não há aqui uma preparação psicológica, não há um pátrio poder racional, não nos da uma explicação razoável. O cara vira travesti e acabou. Daí pra frente o filme cai no clichê de mostrar que o preconceito do machão heterossexual pode se voltar contra ele em algum momento da sua vida. Mas não se iluda, não há aqui uma denúncia a homofobia ou da reivindicação homossexual, tudo acontece a Deus dará, cuja proposta deu margem a uma história sem nexo.
O projeto é Pobre, os personagens mal construídos, a história é ruim e pra piorar, nos momentos tristes entra um som de rock and Roll.  O resultado é frustrante. Manas se aventurou por uma estrada difícil que dirigir: homossexualismo, velhice, dor e perda. E se perdeu. Mas a menina é uma graça! Coisinha linda.

sábado, 21 de abril de 2012

Alma ao Diabo (by Gian)


Fausto é o filme que fecha a tetralogia de Alekssandr Sukorov do Poder Totalitário, e dessa vez ele não recorre a personagens reais como das três vezes anteriores, em que baseou suas obras em Hitler, Lênin e Hiroito, nesse trabalho ele se baseia livremente na obra de Goethe que fala desse enigmático personagem que vende sua alma ao Diabo.
Chegando atrasado na premiação de Veneza por estar proibido na Rússia, e ainda mais atrasado aqui no Brasil, “Fausto” conquistou o festival mais cobiçado da Itália, levando o Leão de Ouro em um júri cujo presidente era ninguém menos que Darren Aronofsky. Essa introdução já dispensa maiores apresentações sobre a obra em questão.

Terror, drama, desejo e filosofia se unem na fotografia crua de Bruno Delbonnel ao nos focar no Dr. Fausto: médico, teólogo, astrônomo, cientista e jurista, que sonha com profundos e ilimitados conhecimentos, com respostas precisas sobre Morte, Deus, alma, eternidade.O filme se inicia com uma autopsia, os primeiro minutos é a tentativa do médico em encontrar a alma humana dentro do defunto. Com fome, desânimo e desesperado em não dirimir suas dúvidas Fausto vai penhorar uns objetos e encontra com Mefistófeles que o faz assinar um termo e sai com ele para vagar sobre o vilarejo local, numa estranha relação de impaciência e amizade.
Imagens distorcidas dão aspecto sombrio ao filme, que parece estar sendo sonhado por algum dos personagens. O Diabo tem uma fixação por estátuas relacionadas a Jesus Cristo e ao cristianismo, sempre que as vê ele vai beijar-lhas na boca, fazer insinuações obcenas, que podemos interpretar como provocação ou como um objeto de fetiche. O filme não lembra em nada “O Anticristo” de Lars Von Trier, mas é lotado de sentidos figurados, situações sombrias e absurdas. É incômodo por não nos deixar tomar partido ou torcer, já não temos os heróis ou os vilões característicos de filmes de terror, é real por lidar com a natureza humana, e é fantástico e assustador pela precisão em mostrar a nossa triste existência na luta pela felicidade.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Sangue e Mel (by Fabi)


Há muito que o cinema deixou de ser meramente um lazer domingueiro, para se tornar instrumento cultural na vida das pessoas. Existem filmes que nos impulsionam violentamente rumo à História, que nos faz parte integrante dos conflitos sociais, étnicos e políticos a que a humanidade vem sendo acometida há décadas. Foi assim com a Lista de Shindler de Spielberg, Diamante de Sangue de Edward Zwick, Diários de Motocicleta de Walter Salles, O Último Rei da Escócia de Kevin Mcdonald. São filmes que nos remetem e inserem no contexto histórico da humanidade e nos motiva a refletir.
Recentemente, assisti à estréia de Angelina Jolie do outro lado das câmeras, dirigindo o longa In the Land Of Blood and Honey (Terras de Sangue e Mel) e me comovi com a história que descreve cruamente o terrível massacre nos balcãs, ou a Guerra da Bósnia Herzegovina, se preferir. O fim da República Federal da Iugoslávia, que lavou a Europa por 3 anos num mar de sangue, sendo o maior conflito da Europa depois da 2ª Guerra, deixando mais de 1 milhão de refugiados, cerca de 200 mil vítimas entre civis e militares, nas quais 65% eram muçulmanos bósnios, 25% sérvios e 8% croatas.
Dentro dessa realidade vil que devastou o Velho Continente, Angelina Jolie, que tem lá suas convicções humanitárias, dirige um filme sem qualquer tipo de estrelismo pessoal, mas com muita honestidade e neutralidade, mostrando as atrocidades do genocídio, dos campos de concentração, as mais de 50.000 mulheres violadas durante o conflito, a limpeza étnica e em meio a tudo isso, o romance entre um oficial sérvio e uma pintora bósnia e muçulmana, separados pela barreira do conflito. Jolie em nenhum momento "americaniza" a história, tanto que o filme todo é falado no idioma local, com atores dos países em questão.
Eu gostei do filme. A mim me pareceu um filme-denúncia que consegue alcançar o que se propõe a mostrar.
Recomendo.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Temos Papa? (by Gian)


O que aconteceria se o novo Papa, ao acabar de ser eleito, amarelasse em cima da hora?

Essa é a temática da nova obra prima de Nanni Moretti “Habemus Papam” que nos põe de cara com os ritos eclesiásticos que antecedem e sucedem a escolha do líder mundial da igreja católica. O filme tinha tudo pra ser chato, mas a ironia presente a cada cena, a cada tomada, prende a atenção sobre o que se passa no íntimo do ser humano ao receber tão significativa diligência, expondo seus medos, suas convicções e até mesmo sua fé: a dúvida naquilo que sempre acreditou e se espelhou por toda a vida. É muito comum no cristianismo, e até em outras religiões, o fiel que, ao tentar persuadir outrem a se filiar na sua doutrina dogmática, apela para sentimentos que norteiam ou nortearam nossa vida em determinado momento emocional, como por exemplo, na perda de um ente querido. Ao estarmos necessitando de compreensão sobre um triste acontecimento ocorrido, nos aparece àquela voz de apoio, um guia espiritual bem intencionado cujas palavras se fundamentam nas escrituras sagradas. Até mesmo aquele mais descrente se sensibiliza em certos momentos, pois queira ou não o homem é um ser religioso. Ok, mas a proposta da Nanni Moretti nessa excepcional obra é nos mostrar o inverso desta moeda, ou seja, o que acontece com uma pessoa que, já lotada de crença e ensinamentos religiosos, se depara com uma responsabilidade lhe confiada por Deus e que, por circunstâncias pessoais se acha indigno de tal posto, recorrendo assim à ajuda de um psicólogo ateu - pois queira ou não, o homem é um animal racional. É o seu eu dizendo não a tudo aquilo que lhe foi imposto e aceito pela fé. É a dúvida que bate no momento mais importante da sua vida e da sua religião.

Imagina a cena: a Praça São Pedro no vaticano lotada de fieis, repórteres e gente de todo o mundo, e aparece a tal fumaça branca que mostra que o novo pontífice já foi escolhido, todos na expectativa e curiosidade de saber quem é o novo líder católico, porém ninguém imagina que por detrás daquela janelinha onde deveria aparecer o novo Papa está acontecendo um verdadeiro Deus nos acuda, pois o escolhido entrou em pânico e se trancou dentro do quarto. Chamem um psicólogo, deu merda! Do jeito que exponho o texto fica parecendo que Moretti fez uma comédia pastelão, mas não é bem por aí, o filme tem até uma temática bem mais dramática do que engraçada, o diretor foca seu trabalho na dor do personagem, analisa a profunda reflexão e a dúvida de um cristão fiel que no final de um estressante dia de trabalho religioso acredita na missão que lhe é confiada, mas sente que o dever do seu novo papel está fora do seu alcance. Um filme admiravelmente bonito que fala basicamente do reencontro de um homem com seus próprios e autênticos desejos. É uma história política e religiosa, ideal para interpretar comportamento e modos de relacionamento de uma pessoa que por toda sua vida deu ouvidos apenas a uma perspectiva, a um modo de viver. E de repente quer dar um basta em tudo.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Comissão da Verdade (by Cristiane)

Um dos objetivos principais do governo federal é apurar e punir os crimes cometidos pelos militares durante o Golpe de 64. Obviamente, os militares violadores de direitos que ainda se encontram vivos, fazem campanha contra a criação da Comissão da Verdade, pois sabem que a batata nunca esteve assando tão perto. Porém, fortes aliados entraram na batalha em favor de uma maior rapidez na criação da comissão: Juizes brasileiros se manifestaram.

Eis o que dizem:

Nós, juizas e juizes brasileiros, exigimos que o país quite a enorme dívida que possui com o seu povo e com a comunidade internacional, no que diz respeito à verdade e justiça dos fatos praticados pela ditadura militar, que teve início com o golpe de 1964.

A Comissão da Verdade, criada por lei, é mecanismo que deve contribuir para melhorar o acesso à informação e dar visibilidade às estruturas da repressão, reconstruindo o contexto histórico das graves violações humanas cometidas pela ditadura militar e promover o esclarecimento dos casos de tortura, mortes, desaparecimentos forçados e ocultação de cadáveres.

Estamos certos, como decidido pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, que “as atividades e informações que, eventualmente, recolha (a Comissão de Verdade), não substituem a obrigação do Estado de estabelecer a verdade e assegurar a determinação judicial de responsabilidades”.

Manifestações que buscam cobrir as violações cometidas sob o manto da ignorância são um golpe para os direitos humanos e afrontam o patamar da dignidade humana estabelecido na Constituição Federal e normativa internacional. Todos e todas têm o direito de saber o que ocorreu em nosso país, tarefa que compete à Comissão da Verdade, a ser composta por pessoas comprometidas com a democracia, institucionalidade constitucional e direitos humanos. Aguardamos que a Comissão da Verdade seja constituída o quanto antes, devidamente fortalecida e com condições reais para efetivação do seu mister.”

Magistrados: Jorge Luiz Souto Maior – SP João Ricardo dos Santos Costa – RS Kenarik Boujikian Felippe – SP Alessandro da Silva- SC Marcelo Semer- SP André Augusto Salvador Bezerra – SP Gerivaldo Neiva – BA Roberto Luiz Corcioli Filho – SP Aluísio Moreira Bueno – SP Carlos Frederico Braga da Silva – MG Angela Maria Konrath – SC Fernanda Menna Pinto Peres – SP Adriano Gustavo Veiga Seduvim – PA Rubens Roberto Rebello Casara – RJ Mauro Caum Gonçalves – RS Roberto Arriada Lorea – RS Alexandre Morais da Rosa – SC João Batista Damasceno – RJ Marcos Augusto Ramos Peixoto – RJ Lygia Maria de Godoy Batata Cavalcanti – RN Luís Carlos Valois Coelho – AM Dora Martins – SP José Henrique Rodrigues Torres – SP Andréa Maciel Pachá – RJ Maria Coeli Nobre da Silva – PB Ruy Brito – BA Paulo Augusto Oliveira Irion – RS Amini Haddad – MT Geraldo Prado – RJ Michel Pinheiro – CE Alberto Alonso Muñoz – SP Julio José Araujo Junior – RJ Fernando Mendonça – MA André Luiz Machado – PE Grijalbo Fernandes Coutinho – DF Fábio Prates da Fonseca – SP Marlúcia de Araújo Bezerra – CE Maria das Graças Almeida de Quental – CE Rodolfo Mário Veiga Pamplona Filho – BA Weliton M. dos Santos – MG Célia Regina Ody Bernardes – MT Oscar Krost – SC Adriana Ramos de Mello – RJ José Roberto Furquim Cabella – SP Maria Cecília Alves Pinto – MG Sergio Renato Domingos – SC Mário Soares Caymmi Gomes – BA Fábio Henrique Rodrigues de Moraes Fiorenza – MT Jeferson Schneider – MT Eduardo Vandré Oliveira Lema Garcia – RS Lucas Vanucci Lins – MG Douglas de Melo Martins – MA Alberto Silva Franco – SP Fernanda Souza P. de Lima Carvalho – SP Cristiana de Faria Cordeiro – RJ Umberto Guaspari Sudbrack – RS Erico Araújo Bastos – BA Edson Souza – BA Amilton Bueno de Carvalho – RS José Augusto Segundo Neto – PE Salem Jorge Cury – SP Rita de Cássia M. M. F. Nunes – BA José Viana Ulisses Filho – PE Milton Lamenha de Siqueira – TO Maria da Graça Marques Gurgel – AL Luiz Alberto de Vargas – RS João Marcos Buch – SC Ivani Martins Ferreira Giuliani – SP Maria Cecilia Fernandes Alvares Leite – SP Saint-Clair Lima e Silva – SP Magda Barros Biavaschi – RS Bernardo Nunes da Costa Neto – PE Beatriz de Lima Pereira – SP Rodolfo Mário Veiga Pamplona Filho – BA Edvaldo José Palmeira – PE Denival Francisco da Silva – GO Maria Madalena Telesca – RS Reginaldo Melhado – PR Ana Claudia Petruccelli de Lima- PE Albérico Viana Bezerra – PB Carlos Eduardo Oliveira Dias – SP Ana Paula Alvarenga Martins – SP Theodomiro Romeiro dos Santos – PE José Tadeu Picolo Zanoni – SP Maria Sueli Neves Espicalquis – SP Sandra Miguel Abou Assali Bertelli –SP Luís Christiano Enger Aires – RS Carmen Izabel Centena Gonzalez – RS Rute dos Santos Rossato – RS Reno Viana - BA Orlando Amâncio Taveira – SP André Luis de Moraes Pinto – RS Norivaldo de Oliveira – SP Eugênio Couto Terra – RS Denise Oliveira Cezar – RS Helder Luís Henrique Taguchi – PR Sérgio Mazina Martins – SP Eugênio Facchini Neto – RS Gilberto Schäfer – RS Rodrigo de Azevedo Bortoli – RS André Luis de Moraes Pinto – RS Paulo da Cunha Boal – PR Laura Benda – SP Joana Ribeiro Zimmer – SC Bráulio Gabriel Gusmão – PR Graça Carvalho de Souza – MA Andrea Saint Pastous Nocchi – RS Fernando de Castro Faria – SC Dyrceu Aguiar Dias Cintra Junior – SP Angélica de Maria Mello de Almeida – SP Andréia Terre do Amaral – RS Fabiana Fiori Hallal – RS Maria Lucia Boutros Buchain Zoch Rodrigues – RS Laura Borba Maciel Fleck – RS Luís Fernando Camargo de Barros Vidal – RS Régis Rodrigues Bonvicino – SP Luis Manuel Fonseca Pires – SP Carlos Vico Mañas – SP Mylene Gloria Pinto Vassal - RJ Leonardo Vieira Wandelli – PR Luiza Barros Rozas – SP Ana Izabel Ferreira Bertoldi- SP Carlos Moreira De Luca – SP Marcia Malvar Barambo –RJ Hugo Cavalcanti Melo Filho – PE Arnaldo Boson Paes – PI Andréa Saint Pastous Nocchi – RS Fabiola Amaral – SP Cláudia Regina Reina Pinheiro – SP José Carlos Arouca – SP Ione Salin- RJ Gonçalves Siro Darlan de Oliveira – RJ André Tredinnick -RJ Gustavo Tadeu Alkmim - SP Valdete Souto Severo – RS Damir Vrcibradic – RJ Claudia Marcia de Carvalho Soares – RJ Cláudia Regina Reina Pinheiro – RJ Silvio de Albuquerque Mota – CE Tereza Cristina de Assis Carvalho – RN

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Paridade é igualdade (by Gian)

video
Mando aqui, quase que em primeira mão, o curta brasileiro dirigido por Loyanne Lima que concorre no festival argentino "Participación Política de las Mujeres", realizado pela REM – Reunion Especializada de La Mujer del Mercosur. Muito bom, curtinho, e vale a pena ver.

Dilma ( By Gian)

72% de aprovação. É mais que um CALA A BOCA NÉ?