Sejam Bem-vindos

Ideia, cinema, literatura, opinião, crítica, política, Direito, dia-a-dia - Um espaço para escrever, relaxar e soltar o verbo.
A preocupação é deixada de fora.


Sinta-se em casa!




sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Sai o ditador, entra o herói (by Gian)


Professores, funcionário e alunos de uma escola estadual em Salvador fizeram uma eleição com o objetivo de mudar o nome da instituição, que desde sua inaugurarão em 1972 leva o nome do então presidente ditador Emílio Garrastazu Médici. O resultado não podia ser melhor, com 69% dos votos ficou decido que a partir do próximo ano letivo a escola levará nome do herói Carlos Marighella, um dos mais importantes heróis do Brasil que participou da luta armada contra o golpe militar, e que foi o fundador do grupo armado Ação Libertadora Nacional, participando de inúmeras batalhas contra o então exército nacional que recebia finanças dos EUA para manter a ditadura no nosso país. Foi morto em uma emboscada depois de ser entregue por companheiros torturados pelo delegado do DOPS de SP Sérgio Fleury.

Em segundo lugar na eleição para a troca do nome ficou o geógrafo Milton Santos, que também lutou contra a ditadura, e que conseguiu o exílio após ter cumprido 6 meses de prisão.
Queria ter a honra de poder estudar na Escola Estadual Carlos Marighella! O currículo ficaria bem mais honroso! Parabéns pela escolha!

domingo, 8 de dezembro de 2013

(by Gian)










Não quero falar de coisas chatas ou tristes.

Cheguei a fazer um texto sobre a morte de Madiba, mas não vou postar. Até porque Fabi foi mais rápida e postou uma linda homenagem sobre esse homem que talvez tenha sido o mais importante da nossa geração, faltou apenas dizer que Mandela foi preso com a ajuda da CIA e dos EUA, e chamado de terrorista por esse governo, e a então primeira-ministra britânica Margaret Thatcher disse: "O CNA - Congresso Nacional Africano, partido de Mandela - é uma típica organização terrorista... Qualquer um que pense que ele vá governar a África do Sul está a viver na terra do faz de conta". E hoje esses mesmos países prestam homenagens a ele. Quanta hipocrisia...Não quero entrar nesse assunto.


Também não vou falar de meu querido Flu que ano que vem vai jogar a segundona. Não dou um centavo do meu dinheiro pra futebol, e é nessa hora que valorizo meus centavos e vejo que lástima é um campeonato cujas regras proporcionam a tal da Mala Branca, com jogador fazendo corpo mole ou juízes mal intencionados.





Mas quero falar de um outro assunto hoje: Medicina.
O maior especialista em reimplante peniano é o médico tailandês Kasian Bhanganada. É bom saber disso, pois caso aconteça algum acidente e seu pênis voe pelos ares, é só pegá-lo, por em uma caixinha de isopor com gelo, comprar uma passagem Rio-Sião, e procurar o hospital em que o tal médico e sua equipe trabalham. De acordo com uma revista local, em um artigo intitulado Intervenção Cirúrgica em amputação epidêmicas em Siam, médico e equipe obtiveram sucesso em 99% das operações, e o fracasso ocorreu somente em um caso, em que o pênis amputado foi parcialmente ingerido por um ganso.

Então, em caso de acidente, vale a pena visitar o sudeste asiático e ser tratado pela melhor equipe especialista em piru do mundo. 

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

1 minuto de silêncio (by Fabi)


Quando alguém como Nelson Mandela parte, o mundo fica mais turvo, mais frio, mais carente. Se é verdade que a gente precisa de ídolos, de mártires, de ícones, hoje, estamos um pouco mais sós. 
A África do Sul hoje está órfã. Morre Madiba, como era chamado carinhosamente pelo povo sul-africano. Acho que nunca na História, um chefe de Estado recebeu tantas honrarias, de tantos outros chefes de Estado. Deu nome até a um pica-pau e à uma orquídea! Prêmio Nobel da Paz em 1993. Governou a África do Sul de 1994 a 1999. Foi inspiração para o cinema no filme Invictus de Clint Eastwood e a primeira vez que a ONU dedicou uma data em particular a uma pessoa, foi em 18 de julho (data de seu aniversário). Em 2010, mesmo já bastante debilitado, encantou o planeta na Copa da África, juntamente com seu povo, com suas danças, coloridos e alegria.
Esteve 27 anos preso durante o regime do Apartheid, por acreditar na igualdade entre as pessoas, por ser contra a ditadura da raça, acreditando que ninguém poderia nascer odiando outro ser humano, que isso nos era ensinado e se o ódio podia ser ensinado, o amor também poderia. Mesmo em cativeiro manteve audível a sua voz e suas ideias, que eram  divulgadas sem muitos recursos e sem nossas ferramentas atuais. Em 6 ocasiões o governo segregador do Apartheid ofereceu-lhe a liberdade e ele recusou em todas elas, justificando-se:
 “Eu me preocupo com a minha própria liberdade, mas eu me preocupo ainda mais com a de vocês. Que tipo de liberdade me está sendo oferecida enquanto a organização do povo permanece banida?”.
Muito irá se falar desse homem agora. Muito mais homenagens ele receberá.
Ele marcou sua geração e as posteriores. Que as gerações vindouras possam conhecer e entender a história desse, que semeou igualdade, liberdade e fraternidade entre o ser humano, pois cria que somente existia uma raça: a raça humana!


Vá ser livre, Mandela!



segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Vomitando clichês (By Gian)



Não é do meu feitio reproduzir textos de outras pessoas aqui neste blog, acho que se criamos um espaço para idéias, elas devem ser exclusivamente nossas, permitindo no máximo alguma citação ou frase de efeito que possa caracterizar ou explicar melhor a narrativa.Todavia, abrirei uma exceção por um motivo muito especial: O texto que reproduzirei abaixo tem uma consonância muito forte com o fato de eu não ter mais Facebook ou de evitar qualquer contato com redes sociais. Pois além de eu odiar expor minha vida pessoal para quem quer que seja, e não me interessar à mínima para essa falsa felicidade de minuto que são postadas via fotos ou mini-relado a cada instante, o que mais me aterrorizava eram os relinchos burros e repetitivos de idéias criadas por meia dúzia de preconceituosos e que viravam clichês nas postagens daqueles que não pensam com a própria cabeça, mas relincham. E para eu não ter que ler diárias idiotices, e não me estressar em uma linda manhã de domingo, eu com toda a felicidade do mundo e nenhum arrependimento, excluí meu Facebook.
E agora, passando os olhos em textos inteligentes, me deparei com esse, do pensador Matheus Pichonelli, que vai direto ao ponto, que constrói todo o sentimento que tive de responder a algumas mensagens burras e clichês que invariavelmente eu recebia nos meus tempos de redes sociais.

“Não penso, logo relincho”

“Negros têm preconceitos contra eles mesmos” -Tentativa clássica de terceirizar o próprio racismo, é a frase mais falada das redes sociais durante o Dia da Consciência Negra. É propagada justamente por quem mais precisa colocar a mão na consciência em datas como esta: pessoas que nunca tomaram enquadro na rua nem foram preteridas em entrevistas de emprego sem motivos aparentes. O discurso é recorrente na boca de quem jamais se questionou por que a maioria da população brasileira não circula em ambientes frequentados pela elite financeira e intelectual do País, como universidades, centros culturais, restaurantes, shows e centros de compra. Tem a sua variação homofóbica aplicada durante a Parada Gay. O sujeito tende a imaginar que Dia Branco e Dia Hétero são equivalentes porque ignora os processos históricos de dominação e exclusão de seu próprio país.
“Não precisamos de consciência preta, parda ou branca. Precisamos de consciência humana” - Eis uma verdade fatiada que deixa algumas perguntas no contrapé: o manifestante a exigir direitos iguais não é gente? O que mais se busca, nessas datas, se não a consciência humana? Ou ela seria necessária, com ou sem feriado, caso a cor da pele (ou o gênero ou a sexualidade) não fosse, ainda hoje, fatores de exclusão e agressão?
“Héteros morrem mais do que homossexuais. Portanto, somos mais vulneráveis” -É o mesmo que medir o volume de um açude com uma régua escolar. Crimes como homicídio, latrocínio, roubo ou furto têm causas diversas: rouba-se ou mata-se por uma carteira, por ciúmes, por fome, por motivo fútil, por futebol, mas não necessariamente por causa da orientação sexual da vítima. O argumento é utilizado por quem nunca se perguntou por que ninguém acorda em um belo dia e decide estourar uma barra de ferro na cabeça de alguém só porque este alguém gosta e anda de mãos dadas com alguém do sexo oposto. O crime motivado por ódio contra heterossexuais é tão plausível quanto ser engolido por uma jaguatirica em plena Avenida Paulista.
“Estamos criando uma ditadura gay (ou racial) no Brasil. O que essas pessoas querem é privilégio” - Frase utilizada por quem jamais imaginou a seguinte cena: o sujeito acorda, vê na tevê sempre os mesmos apresentadores, sempre as mesmas pautas, sempre as mesmas gracinhas. No caminho do trabalho, ouve ofensas de pedestres, motoristas e para constantemente em uma mesma blitz que em tese serviria para todos. Mostra documento, RG. Ouve risada às suas costas. Precisa o tempo todo provar que trabalha e paga imposto (além, é claro, de trabalhar e pagar imposto). Chega ao trabalho e é recebido com deferência: “oi boneca”; “oi negão”; “veio sem camisa hoje?”. Quando joga futebol, vê a torcida imitando um macaco, jogando bananas ao campo, ou imitando gazelas. E engasga toda vez que vira as costas e se descobre alvo de algum comentário. Um dia diz: “apenas parem”. E ouve como resposta que ele tem preconceito contra a própria condição ou está em busca de privilégio. Resultado: precisamos de um novo glossário sobre privilégios.
“Os homens também precisam ser protegidos da violência feminina” - Na Lua, é possível que a violência entre gêneros seja equivalente. Na Terra, ainda está para aparecer o homem que apanhou em casa porque foi chamado de gostoso na rua, levou mão na bunda, ouviu assobios ou ruídos com a língua sem pedir a opinião da mulher. Também não há relevância estatística para os homens que tiveram os corpos rasgados e invadidos por grupos de mulheres que dominam as delegacias do País e minimizam os crimes ao perguntar: “Quem mandou tirar a camisa?”.
“O Lula não foi pro SUS por saber que merda é a Saúde pública” – É, também não é julgado pro juizes de primeiro grau, como também não tem a PM como segurança particular, assim como não almoça no restaurante popular. Como nenhum chefe de Estado do mundo.Uma questão de segurança, meus caros "intelectuais".
 “Bolsa Família incentiva a vagabundagem. Pegar na enxada e trabalhar ninguém quer” -Há duas origens para a sentença. Uma advém da bronca – manifestada, ironicamente, por quem jamais pegou em enxada – por não se encontrar hoje em dia uma boa empregada doméstica pelo mesmo preço e a mesma facilidade. A outra origem é da turma do “pegar o jornal e ler além do horóscopo ninguém quer”; se quisesse, o autor da frase saberia que o Bolsa Empreiteiro (que também dispensa a enxada) consome muito mais o orçamento público do que programa de transferência de renda. Ou que a maioria dos beneficiários de Bolsa Família não só trabalha como é obrigada a vacinar os filhos, manter a regularidade na escola e atravessar as portas de saída do programa. Mas a ojeriza sobre números e fatos é a mesma que consagrou a enxada como símbolo do nojo ao trabalho.
“Na ditadura as coisas funcionavam” - Frase geralmente acolhida por pacientes com síndrome de Estocolmo. Entre 1964 e 1985, a economia nacional crescia para poucos, às custas de endividamento externo e da subserviência a Washington; universalização do ensino e da saúde era piada pronta, ninguém podia escolher os seus representantes, a imprensa não podia criticar os generais e a sensação de segurança e honestidade era construída à base da omissão porque ninguém investigava ninguém. Em todo caso, qualquer desvio identificado era prontamente ofuscado com receitas de bolo na primeira página (os bolos eram de fato melhores).
“Você defende direito de presos porque ele não agrediu ninguém da sua família” - É o sofisma usado geralmente contra quem defende o uso das leis para que a lei seja garantida. Para o sujeito, aplicação de penas e encarceramentos são privilégios bancados às custas dele, o contribuinte. Em sua lógica, o Estado só seria efetivo se garantisse a sua segurança e instituísse a vingança como base constitucional. Assim, a eventual agressão contra um integrante de uma família seria compensada com a agressão a um integrante da família do acusado. O acúmulo de experiência, aperfeiçoamento de leis e instituições, para ele, são papo de intelectual: bons eram os tempos dos linchamentos, dos apedrejamentos públicos, da Lei de Talião. Falta perguntar se o defensor do fuzilamento está disposto a dar a cara a tapa, ou a tiro, quando o filho dirigir bêbado, atropelar, agredir e violentar a família de quem, como ele, defende penas mais duras para crimes inafiançáveis.
“A criminalidade só vai diminuir quando tiver pena de morte no Brasil” - Frase repetida por quem admira o modelo prisional e o corredor da morte dos EUA, o país mais rico do mundo e ao mesmo tempo o mais violento entre as nações desenvolvidas. Lá o crime pode não compensar (em algum lugar compensa?), mas está longe de ser varrido junto com seus meliantes.
“Político deveria ser tratado por médico cubano” - Tradução: “não gosto de política nem de cubano”. Pelo raciocínio, todo paciente tratado por cubanos VAI morrer e todo político que precisa de tratamento médico DEVE morrer. Para o autor da frase, bons eram os tempos em que, na falta de médico brasileiro, deixava-se o paciente morrer – ou quando as leis eram criadas não pelo Legislativo, mas pelo humor de quem governa na canetada.
“Deveriam fazer testes de medicamento em presidiários, não em animais”- Também conhecida como “não aprendemos nada com a parábola do filho Pródigo que tantas vezes rezamos na catequese”. É citada por quem não aceita tratamento desumano contra os bichos, mas não liga para o tratamento desumano contra humanos. É repetida também por quem se imagina livre de todo pecado e das grandes ironias da vida, como um certo fiscal da prefeitura de São Paulo que um certo dia criticou o direito ao indulto de presidiários e, no outro, estava preso acusado de participação na máfia do ISS. É como dizem: teste de laboratório na cela dos outros é refresco.
“Por que você não vai para Cuba?” - Também conhecida como “acabou meu estoque de argumentos. Estou andando na banguela”.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Feridas Abertas (by Gian)

Eu sei que as maiores produções cinematográficas produzidas pelo TIO SAM são guardadas para serem lançadas no final do ano, pois assim têm mais chances de concorrer e ganhar o Oscar, prêmio mais famoso  do cinema mundial e que enche de dólar a carteira de muita gente que trabalha com sétima arte. Mas poxa vida, está faltando pouco mais de um mês para que o ano de 2013 vire defunto e até agora não surgiu uma superprodução estadunidense que a gente possa dizer que é boa pra caramba. Bom, até agora...



Ainda está em cartaz em alguns cinemas “Os Suspeitos (prisioners)”, filme que nos perturba a mente com a história do desaparecimento de duas menininhas que foram vistas pela última vez brincando ao lado de um trailer que pertence a um rapaz doente, cuja mentalidade se equivale à de uma criança de dez anos de idade. O desenrolar do roteiro não tira o pé do freio: passam-se dias, a dor da família aumenta, o policial que investiga o caso, apesar de esforçado é desatento e irregular, e os fatos que vão surgindo são às vezes contraditórios, dando vazão a um incômodo entendimento de que as meninas já estão mortas, o que nos deixa colados na poltrona com uma dor no coração e uma imensa dúvida do que é certo ou errado, do que se deve ou não fazer, de apoiar ou não uma (in)justiça com as próprias mãos ou todo o conceito de estado como único interventor legal no processo de julgar e punir. O filme é violento e chocante sem nada de gratuito, e se você não toma partido sobre os acontecimentos acaba se sentindo mal por ser omisso a uma situação terrível e sombria, e que só vai te levae ao alívio ao perceber que você está diante de  uma ficção criada por um roteirista, e que graças a Deus seus sentimentos vão se normalizar quando entrarem os créditos e você ter certeza que suas crianças estão bem, em casa.
Todo esse conjunto que te leva a pensar mil vezes sobre pena de morte, justiça pelas próprias mãos, incapacidade civil, amizade, religião e loucura, é encenado por um elenco de primeira classe, uma edição perfeita e uma fotografia que quase te tira da sala e te leva para uma tragédia que une e separa famílias. Está aí o primeiro filme dos Estados Unidos de 2013 que podemos afirmar ser sensacional.

 Nota: 9,0

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

O saquinho de jabuticabas (by Fabi)


Sou feliz pela profissão que escolhi. Me realizo quando percebo nos olhos de uma criança seu entusiasmo pelo novo, quando sinto sua expectativa diante de algum desafio.
Sim, eu sou professora. Sim, eu trabalho com crianças e é isso que eu sei fazer. Não gosto do romantismo, da fantasia que norteia minha profissão, já que este é usado há anos como modo de coação e transferência de responsabilidades, mas sei que ele é inevitável, principalmente pelos alunos. Somos vistos por eles como seres superiores, alguma coisa entre Deus e mãe. Somos seu primeiro amor na infância, afinal, quem nunca se apaixonou pela professorinha? O grande barato disso tudo é que depois de mais de 20 anos de estrada, ainda me surpreendo e me emociono. Tenho recebido presentes desde a segunda-feira. Coisinhas simples, simbólicas: cartinhas, beijos, pequenos mimos...
Hoje fui subitamente abordada por um aluno extremamente tímido, que quase não se manifesta em sala de aula, salvo quando solicitado. Ele abriu timidamente sua mochila ao lado da minha mesa, retirou uma sacolinha plástica do Supermercado Extra e falou quase num sussurro "Parabéns pelo seu dia..." Abri a sacolinha, que estava muito bem fechada e para minha surpresa ela estava recheada de jabuticabas, que ele colheu de seu quintal! Lindas! Pretinhas! Docinhas! E só minhas!!!! Uau...
Fala sério....
O salário? É vexatório! As condições? Ruins. A valorização? O que é isso mesmo? Mas a gente continua pq existem coisas maiores que fazem o negócio valer a pena! Alegrias, surpresas, decepções, fazem parte da rotina do professor que gosta de ser professor.
É tipo um vício, uma droga, uma cachaça que você se entorpece rápido, fica embriagado e nunca mais quer largar!
 
Feliz Dia do Professor!!!!!

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Quando me apaixono (by Fabi)


A estréia como diretora da grande atriz americana, Helen Hunt, não foi arrebatadora como suas atuações, o longa Quando me apaixono, esteve longe de ser sucesso de bilheteria nos cinemas americanos e só chegou ao Brasil, 2 anos após ser lançado na terrinha do Tio Sam. Ainda assim acho que merece ser citado aqui no Biboca, pq é um filme que tinha tudo p/ ser só mais um "filme mulherzinha", com encontros e desencontros entre um casal, aquela comédia romântica água com açúcar que enjôa,  mas ele surpreende com a alta dose de drama bem articulado, de questionamentos interiores sobre a vida, religião, a maternidade, o perdão, a adoção e claro, a eterna busca feminina pelo amor, sem se tornar piegas.
Helen é April, professora, uma mulher madura, que chega aos 40 anos alimentando o desejo de ser mãe, mas encontra dificuldades para engravidar. Como cresceu insatisfeita num lar adotivo, é muito resistente à ideia de adoção. E, para piorar a situação, seu marido pede o divórcio. Em meio a tanta dor, sua mãe biológica "porra-louca", aparece do nada disposta a reconquistá-la e sem saber como lidar com isso, April conhece Frank, o complicado pai de aluno que, assim como ela, também passa por um divórcio complicado.
Apesar do elenco de peso, Colin Firth, Bette Midler, Matthew Broderick, Quando me apaixono está longe de empolgar, de arrebatar e apesar da imensa possibilidade de ser melhor, conquista por ser singelo, digno e muito "gente", que trata de assuntos de gente, com coisas que acontecem no dia a dia de gente, contando as mazelas de gente normal, que sonha, que se desilude, que odeia, que perdoa e que ama.


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Uma Resposta (By Gian)

Falou pouco, mas falou grosso e bonito. Em seu discurso na ONU a presidenta Dilma conclamou em alto em bom tom, para que as nações do mundo tomem atitude soberana contra a espionagem estadunidense, o que classificou como “afronta a outros países”.
Sobre a araponga e a falsa desculpa dada pela embaixada Tio Sam, Dilma foi clara: “Não se sustentam os argumentos de que a interceptação ilegal de informações e dados destina-se a proteger as nações contra o terrorismo, pois o Brasil é um país democrático que repudia, combate e não dá abrigo a grupos terroristas”. E ainda afirmou: “Fizemos saber ao governo norte-americano nosso protesto, exigindo explicações, desculpas e garantias de que tais procedimentos não se repetirão”.
Com isso a presidenta solicitou a colaboração de outras nações na implantação de mecanismos multilaterais cujo objetivo seja a implantação de um sistema de efetiva proteção de dados virtuais e segurança na Internet: “Este é o momento de se criar as condições para evitar que o espaço cibernético seja instrumentalizado como arma de guerra, por meio da espionagem, da sabotagem, dos ataques contra sistemas e infraestrutura de outros países”, afirmou.
Do ponto de vista prático, pode não adiantar muita coisa em relação às atitudes de autoritarismo e  arrogância do governo dos EUA, mas foi bom demais ver o esporro sendo dado ao vivo e a cores, frente a frente no mesmo ambiente. Coisa jamais imaginada em governos tucanos anteriores, onde a espionagem era feita de praxe sob a complacência do alto escalão do governo brasileiro.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Obsessão Pela Fama (By Gian)



Qual o limite entre a paixão do fã pelo seu ídolo e o fanatismo doentio?

Em “The Bling Ring - A Gangue de Hollywood” Sofia Coppola dirige a história real de uma turma de amigos que invade as casas dos famosos para furtar seus pertences pessoais. E é através da Internet e das redes sociais que eles descobrem o endereço das celebridades e os momentos em que elas não estão em casa. São pessoas ricas que querem usar as roupas, os sapatos e as jóias dos seus ídolos, gastar seu dinheiro e dirigir seus carros, não por que precisam, mas pela falsa sensação de serem aquela pessoa, de ter no corpo o que já passou pelo corpo famoso, de sentir que pertencem a esse estilo de vida tão sobrevalorizado pela mídia e pela sociedade em geral. E o mais interessante é que Sofia Coppola não abandona seu estilo de filmagem, sua fotografia com cores exageradas e sua firme convicção de não tomar partido dos acontecimentos, seu objetivo é simples: mostrar o que aconteceu, sem vítimas nem agressor, herói ou vilão. E o filme tem em si essa característica de não julgar, de mostrar a falta de uma cultura generalizada que se foca nos atos, nas atitudes imbecis de personagens sem nenhuma noção de privacidade e de ilicitude, e que se apóiam nas suas próprias ignorâncias para tentar justificar suas atitudes com a finalidade de obtenção de notoriedade e de amigos de facebook.

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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Temos muitos Stephens (By Gian)



Todos estão acompanhando essa ação terrorista do governo estadunidense de invadir a soberania dos países e de seus governantes, além da privacidade de quem quer que seja, através da bisbilhotagem em mensagens eletrônicas de qualquer tipo que seja. A arrogância e a prepotência do EUA é sem limites. Discursam sobre o combate ao terrorismo, que nada mais é que uma desculpa esfarrapada do reino do umbigo acima de tudo e de todos. Isso tudo é somente um lado de uma moeda que não poupa governantes, cidadãos e, muito menos, empresas internacionais, a exemplo da nossa Petrobrás. Assim como suas guerras e invasões não poupam vidas civis, inclusive de crianças.

O pior é que existe um monte de baba-ovo-puxa-saco desse país que nos espiona; e sempre que alguém vem falar mal do Brasil e chupar o ovo do saco escrotal estadunidense, me lembro do último filme do Tarantino, onde Samuel L. Jackson (personagem Stephen), escravo africano alegórico, serelepe e puxa-saco, faz toda uma abanação de rabo pra todas as atitudes do seu patrãozinho, que não mede palavras em dizer que a raça negra é submissa pela natureza do seu cérebro. É assim que os EUA devem gargalhar desse nosso monte de idiotas, que faz de tudo para ficar de quatro desde que tenha um Nike sob os joelhos.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

70 anos de Roger Waters (By Gian)



Sem nenhuma sombra de dúvida minha cultura musical se define em antes e depois de ouvir Roger Waters. Lembro perfeitamente que comprei uma fita cassete pirata do Pink Floyd The Wall na Casa Edson, localizada no Centro de Nova Friburgo e meu gosto musical se modificou completamente. 98% das composições daquele álbum são de Waters, inclusive o famoso hino “Another Brick in the Wall”. Roger era a alma do Floyd, e apesar dos outros quatro integrantes serem muito bons naquilo que faziam, nenhum chegava aos pés de Waters no quesito originalidade, criatividade e poesia. Roger Waters é foda, e fez do Floyd uma das maiores bandas de rock de todos os tempos.
Hoje RW faz 70 anos de idade.

Discografia: 
 
Com Pink Floyd:
The Piper At the Gates of Dawn (1967)
A Saucerful of Secrets (1968)
More (1969)
Ummagumma (1969)
Atom Heart Mother (1970)
Zabriskie Point (1970)
Relics (1971)
Meddle (1971)
Obscured By Clouds (1972)
Dark Side Of The Moon (1973)
Wish You Were Here (1975)
Animals (1977)
The Wall (1979)
The Final Cut (1983)
  
Carreira Solo:


Ps. Fiquei meses sem postar aqui, ora por preguiça, ora por falta de tempo. Agora voltei! 

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Rir (by Fabi)

Sabe aqueles dias em que vc só quer sentar em algum lugar, bater um bom papo, estar em boa companhia, rir, rir, rir até perder o fôlego? Despretenciosamente vc quer se divertir, rir de nada, rir de tudo, com um único compromisso: não ter compromisso com nada! Bom, deve ser por isso e para isso que existem as férias. E ontem comecei a aproveitá-las em grande estilo. Em meio a gente amiga, bem humorada, bem resolvida e fazendo uma das coisas que mais me dão prazer na vida: ir ao cinema.O curioso, é que não fui assistir a nenhum filme top de linha, de nenhum diretor, como diz um amigo, "8º dam, faixa vermelha", não era nada de especial, mas que se tornou especial, pq eu quis que assim o fosse. Fui assistir à comédia do momento: "Minha mãe é uma peça" ,que acompanha o dia a dia de uma mãe e seus filhos, com o comediante badalado da vez, o ator Paulo Renato, que nem me agrada tanto assim,acho meio forçado. Mas como ontem era um dia incomum, até o q não me agradava me agradou. Gargalhei muito, me vi em várias cenas do filme, como a mãe neurótica e exagerada,o besteirol-nosso-de-cada-dia, enfim, saí do cinema leve! Faz bem sair da rotina, faz bem ser comum de vez em quando, faz bem se sentir feliz.
E assim como diz a Bíblia, que "nem só de pão vive o homem", digo que nem só de cult vive o cinéfilo!


terça-feira, 7 de maio de 2013

Trier Volta a Cannes (By Gian)



Polêmico e genial são os adjetivos mais usados quando se fala do diretor dinamarquês Lars Von Trier. Tido com persona non grata e banido no festival de Cannes em 2011 por brincar em uma entrevista coletiva ao dizer que entendia e simpatizava com Hitler, Trier volta ao festival dois anos depois para exibir em primeira mão seu novo longa: “Nymphomania” que terá cenas de sexo explícito. A história é de uma mulher encontrada machucada atrás de uma boate por um senhor e levada aos seus cuidados para casa. Enquanto é tratada e se recupera a estranha e misteriosa mulher começa a contar histórias eróticas de sua vida. Deverá ser mais um longa-metragem munido da arte de chocar, a qual von Trier tem se dedicado.
É esperar para ver.

quarta-feira, 6 de março de 2013

O Último Rebelde (By Gian)



Não, o blog não é de homenagem aos mortos.
Mas Chorão morreu! Como posso deixar de registrar?
Rockeiro rock and roll. Rock and roll  que não se acha mais no Brasil, que quebra hotel, que mete a porrada em rival no aeroporto, que faz a banda toda se despedir e contrata outra, que é processado por gravadora, que sobe no palco dando lição de moral em fãs de bandinhas merdas, que faz filme alternativo, que não se desculpa de nada.
Vai lá e quebra o céu Chorão, mete bronca, e me apresenta essa atitude que te dou até um doce.


terça-feira, 5 de março de 2013

O Bons Morrem Antes (by Gian)




Como a Presidenta Dilma disse: “Uma perda irreparável”.
Acabamos de perder o maior líder político da América do Sul e um dos maiores do mundo.
O grande companheiro Hugo se vai, mas suas idéias jamais morrerão. O homem que reduziu a pobreza em seu país de 42% a 9% não morre. Sua imagem e sua luta ficarão salvas para sempre no coração de cada homem que sonha com o fim das imensas desigualdades sociais que transformam a dignidade do ser humano em escravidão.
Viva o Chavismo! Eternamente HUGO CHÁVEZ!!

domingo, 24 de fevereiro de 2013

É hoje!!! (by Fabi)


Muito embora, em minha opinião, seja uma noite sem muitas surpresas, Oscar é Oscar! Sempre!
Muito glamour, muita beleza e oscarizáveis passando pelo suntuoso tapete vermelho e obviamente, que muito talento também!
É muito cult encher a boca e dizer que só curte Cannes, Montreal, Sundance, Berlin, mas cinéfilo de verdade é eclético com relação aos festivais.
Então vamos lá!!! Como já assisti a todos os candidatos a melhor filme e melhor filme estrangeiro, darei minha humilde opinião amadora.

Filme

"Indomável sonhadora"
"O lado bom da vida"
"A hora mais escura"
"Lincoln"
"Os Miseráveis"
"As aventuras de Pi"
"Amour"
"Django livre"
"Argo"


Filme estrangeiro

"Amour" (Áustria)
"No" (Chile)
"War witch" (Canadá)
"O amante da rainha" (Dinamarca)
"Kon-tiki" (Noruega)


Os Miseráveis, p/ mim, é barbada! Filme de Oscar, pra Oscar. Não é o meu preferido, obviamente, já que não sou fã de musicais. Mas é quem eu acho que leva. Indomável Sonhadora é muito bom, e trata de assuntos que americano não gosta muito: miséria, problemas sociais em geral. A hora mais escura, por outro lado, já trata de um assunto que faz a cabeça do Tio Sam: a caçada e a morte do terrorista Osama Bin Laden. Lincoln é uma aula de história americana, mas vale a atuação de Daniel Day Lewis que deve abocanhar mais uma estatueta p/ sua coleção. As aventuras de Pi é muito Sessão da Tarde pro meu gosto, mas dá p/ assistir, até pq Ang Lee não faz filme ruim. Django é um dos melhores do Tarantino, na minha opinião. Gostei muito. Na verdade inaugurei a sessão em Niterói ao lado de um Tarantinófilo. Fazer o que...Coisa de cinéfilo. Argo é o mais fraco de todos, mas ponto para Ben Afleck, que começa a alçar voos maiores! E agora os meus preferidos!!! Minha torcida dividida vai para: a zebra da premiação O lado bom da vida e o tocante Amour!!! O primeiro encanta, emociona e diverte. Tudo em um só filme. Uma comédia romântica com pitadas de drama. Quer combinação melhor?
E o que dizer de Amour? Fora o que meu amado Gian já escreveu na postagem anterior aqui no blog, só posso dizer que é comovente, legítimo e intimista demais. A atriz Emmanuelle Riva, que concorre na categoria de melhor atriz e completa 86 anos no dia da premiação, bem que poderia ser presenteada!! Torço pelos dois, muito embora a previsibilidade do quem seja o vencedor me aborreça.
Em se tratando de cinema estrangeiro no Oscar, o chileno No não empolga e Kon Tiki achei cansativo, apesar da boa história. O amante da rainha e A feiticeira da guerra são muito bons, mas acho que não haverão grandes surpresas. Amour de Michael Haneke leva fácil. Bom, assim espero.
Agora é só aguardar!
Quem viver, verá!!!

Bom Oscar!

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Troféu Biboca 2012 (by Gian)



Chegou o grande momento da premiação de cinema mais importante de toda blogosfera mundial!
2012 foi um ano rico em filmes políticos, de norte a sul, leste a oeste, os países se empenharam em filmar acontecimentos verídicos que ocorreram em algum momento da sua história. Muita coisa boa surgiu, e mesmo não entrando todos aqui na lista, vale a pena dar uma pesquisada nos grandes trabalhos desenvolvidos mundo a fora. Apesar disso, o troféu Biboca de Cinema 2012 vai para um tema diverso, o amor. O melhor filme de 2012 fala sobre a velhice, o vencedor é Amour do austríaco Michael Haneke.

1º  Amor (França/Áustria) – Não só o melhor do ano, como também o melhor de Haneke. Um olhar triste, mas infinitamente sensível, sobre a vida entre quatro paredes de um casal idoso, Georges e Anne são músicos aposentados que aprenderam a viver apenas para seus pequenos hábitos e prazeres domésticos, cuja rotina somente é alterada pelas esporádicas visitas da filha. Mas a velhice trás o medo da perda, a doença, e Amour é a fragilidade diante da mortalidade. E não foi por acaso a escolha do título.
Quando Anne sofre uma doença terminal e fica em estado quase vegetal, Georges se dedica em tempo integral em seus cuidados, em um amor que não admite terceiros, que não quer intervenção externa. E essa opção nos é mostrada sem misericórdia, em degradação física, em sofrimento, nos limites do amor e da dor. Amor te convida para entrar em um apartamento em Paris e não te deixa sair mais. Apenas os pombos, símbolo de uma liberdade já impossível de ser retomada, podem usufruir esse direito.

O dia em que não nasci (Alemanha)  de Florian Micoud Cossen
3º O Amante da Rainha (Dinamarca) de Nikolaj Arcel
 Moonrise Kingdon   (EUA) de Wes Anderson
5º Kon Tiki (Noruega) de Joachim Roenning e Espen Sandberg
6º Hebemus Papam (Itália) de Nanni Moretti
7º Holy Motors (França) de Leos Carax
8º Argo (EUA) de Ben Affleck
9º Rota Irlandesa (Bélgica/França) de Ken Loach
10º A feiticeira da Guerra (Canadá) de Kin Nguyen

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Sensível (by Fabi)

 
Apesar do elenco de primeira linha, não havia dado muito crédito ao longa "The Sessions" a ponto de assisti-lo. Até semana passada.
Com uma delicadeza quase infantil, trata das questões sexuais, interpessoais e religiosas brilhantemente. Helen Hunt, digna como sempre, em lindas cenas de nudez (afinal ela já tem quase 50) e John Hawkes honesto e convincente no papel do encantador poeta e escritor deficiente Mark O'Brien, que nos encanta do início ao fim da trama. Vítima de poliomielite na infância e sem mexer os músculos do corpo, por sentir-se incompleto, Mark começa a questionar-se sobre religião, vida amorosa e sexual e decide consultar uma especialista em exercícios de consciência corporal para poder "sentir" o nunca antes sentido prazer do sexo, do contato físico com uma mulher. Em longas conversas com seu amigo, o padre Brendan, interpretado por William H. Macy, Mark inicia um processo longo e começa a esgueirar-se por um universo novo e intenso, buscando respostas para os seus questionamentos interiores.
Vale ressaltar a maneira como John Hawkes comunica-se com o olhar, com o sorriso largo, esbanjando simpatia.
Gostei e recomendo.
Como meu amado Gian, darei nota: 7.0

P.S - Academia mais uma vez sendo injusta. John Hawkes Merecia estar entre os indicados ao Oscar esse ano.




quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

E a água levou ...(By Gian)



O diretor espanhol Juan Antonio Bayona se transformou em promessa no seu país quando dirigiu o excelente “O Orfanato” com apenas 32 anos. Com um jeitão de garoto responsável Bayona atraiu olhares internacionais para seu o trabalho, não tardando e ser seduzido por Hollywood na promessa de uma mega produção blockbuster. Com milhões de dólares injetados na realização do “O Impossível” Bayona teve sua maior felicidade na escolha do elenco: Ewan McGregor, Tom Holland e principalmente Naomi Watts atuam de forma exemplar na verdadeira história de uma família que vai passar o natal na Indonésia e é atingida dentro do hotel pelo Tsunami, separando-os pela imensa invasão do mar. Os primeiros vintes minutos de filme são de tirar o fôlego, as cenas estão tão bem filmadas e editadas que Bayona consegue transformar um paraíso aparentemente seguro em um inferno angustiante.

Mas a possível confiança do diretor numa boa história pode ter sido a causa da sua perda de foco. Depois do espetáculo visual da destruição de tudo que era bonito Bayona força demais na pretensão de querer emocionar. Uma história que já é tocante naturalmente, principalmente sendo real, não necessita de algumas técnicas cinematográficas Hollywoodianas usadas e abusadas pelo roteiro para fazer o público derramar lágrimas. Mas o filme é “honesto”, ele não tem a pretensão de reconstruir o horror causado pelo tsunami, suas terríveis conseqüências em um povo pobre. Ele recria o caso extremo de sobrevivência de uma família rica que estava na hora errada e no lugar errado, de uma mulher que é médica e que luta com todas as forças para salvar tanto sua vida como a de seu filho e a de outro menino perdido. E dinheiro aparece o tempo todo na tragédia, só que de forma publicitária: vemos marcas de cerveja, de refrigerante, de biscoito e até uma firma de seguros (a multinacional Zurich), cujo representante surge dizendo que “agora está tudo bem”, colocando-os em um avião seguro e os mandando quentinhos para casa, tirando-os da tragédia que uniu todas as raças. Como se tudo estivesse ficado bem. E depois sobem as letrinhas dos créditos. Happy End.

Nota: 6,0

sábado, 9 de fevereiro de 2013

A Besta (by Gian)



O título do texto seria “Satanás a serviço da igreja”, mas achei uma falta de respeito danada associar o cara lá de baixo com Silas Malafaia. Como o diabo se sentiria com tamanha injúria?
Se o povo fosse mais criativo mudaria o nome do Demônio para Malafaia, ou acrescentaria esse sinônimo. Mas existem Malafaias honestos e sensatos nesse mundo (acredito que a grande maioria), e injusto seria, como também o é para o Capeta. O inferno não é tão ruim quanto o Malafaia Pastor, ou Malafaia Mau caráter, Malafaia Inimigo do Bem.
Acabei de ver no youtube parte da entrevista do Pastor no SBT (não agüentei ver tudo), e me deu tanta raiva do povo. Como pode alguém simpatizar com essa figura preconceituosa e ignorante? O imbecil é ignorante até na área de sua formação, a psicologia. Baseia-se em teses totalmente ultrapassadas pra tentar manter seu discurso homofóbico. Qualquer entrevistador comprometido com a verdade já teria quebrado sua idéia ignorante nos primeiros minutos, mas como bizarrice da ibope, Maria Gabriela manteve um debate baixo nível para que o Malafaia-Baixo-Nível pudesse expor mais um pouquinho seu mal caráter disfarçado de religiosidade.
A liberdade de expressão é um direito constitucional, mas será que podemos deixar imbecis usar esse direito em um discurso de ódio, de preconceito? O princípio da igualdade, da dignidade da pessoa não prevalece no caso de confronto de interesses?
Malafaia era pra estar na cadeia, não proliferando ódio e preconceito na televisão.
Seu ódio me deu ódio.
Tento a cada dia ser uma pessoa melhor, e discursos como o de Malafaia serve para que pessoas com pouca instrução, sensíveis a palavra da bíblia, se tornem pessoas ruins, más.
Poucas vezes fiquei tão revoltado com a ignorância, com o preconceito.
Se você tem alguma simpatia com Malafaia, por favor, fique beeeeeem longe de mim. Como diz Arnaldo Antunes:
“Saia de mim vomitado, expelido, exorcizado.
 Saia de mim como escarro, pus, porra, sangue, lágrima, catarro”.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Luto. (by Fabi)

O odor é o de fumaça, a cor é negra e a sensação é a de perda. Se o olfato tem memória, o cheiro rançoso da fumaça,  é o que mães e pais sofridos, vão se lembrar para o resto da vida. Nos solidarizamos com essas 250 famílias que nunca mais serão as mesmas. Que viram seus jovens e adolescentes se despedirem no sábado a noite e nunca mais os verão como eram: jovens, bonitos e felizes. Sou mãe. Tenho uma filha adolescente e meu coração sempre pára um pouco, qdo numa noite de sexta, ou sábado, seu telefone não atende durante a madrugada. Por isso, a tragédia de Santa Maria é minha também. É de todos os pais e mães que temem a violência, o inesperado, as más notícias.
Em meio ao sensacionalismo barato da imprensa, das notícias desencontradas, da boataria, Fabrício Carpinejar, poeta gaúcho, soube narrar essa dor como ninguém até então.

A MAIOR TRAGÉDIA DE NOSSAS VIDAS

Morri em Santa Maria hoje. Quem não morreu? Morri na Rua dos Andradas, 1925. Numa ladeira encrespada de fumaça.
A fumaça nunca foi tão negra no Rio Grande do Sul. Nunca uma nuvem foi tão nefasta.
Nem as tempestades mais mórbidas e elétricas desejam sua companhia. Seguirá sozinha, avulsa, página arrancada de um mapa.
A fumaça corrompeu o céu para sempre. O azul é cinza, anoitecemos em 27 de janeiro de 2013.
As chamas se acalmaram às 5h30, mas a morte nunca mais será controlada.
Morri porque tenho uma filha adolescente que demora a voltar para casa.
Morri porque já entrei em uma boate pensando como sairia dali em caso de incêndio.
Morri porque prefiro ficar perto do palco para ouvir melhor a banda.
Morri porque já confundi a porta de banheiro com a de emergência.
Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa.
Morri porque já fui de algum jeito todos que morreram.
Morri sufocado de excesso de morte; como acordar de novo?
O prédio não aterrissou da manhã, como um avião desgovernado na pista.
A saída era uma só e o medo vinha de todos os lados.
Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço. Não vão se lembrar de nada. Ou entender como se distanciaram de repente do futuro.
Mais de duzentos e cinquenta jovens sem o último beijo da mãe, do pai, dos irmãos.
Os telefones ainda tocam no peito das vítimas estendidas no Ginásio Municipal.
As famílias ainda procuram suas crianças. As crianças universitárias estão eternamente no silencioso.
Ninguém tem coragem de atender e avisar o que aconteceu.
As palavras perderam o sentido.



sábado, 26 de janeiro de 2013

Poliss (by Fabi)


Mexendo com o que mais dói na carne da sociedade atualmente, a pedofilia, o longa francês Poliss(2011), adentra a louca rotina da CPU - Child Protection Unit (Unidade de Proteção à Criança; algo como o conselho tutelar), responsável pelo combate aos abusos e maus tratos infantis em Paris. A diretora francesa Maïwenn, que também atua no filme, consegue de forma perturbadora, fazer-nos adentrar no universo de uma equipe de policiais, altamente comprometidos com o cumprimento do dever, de maneira que não conseguimos ficar impassíveis diante dos relatos das crianças, do detalhamento dos crimes, por parte dos pedófilos e da atuação dos atores. Principalmente as crianças, que durante todo o filme, confunde-nos, fazendo duvidar de que sejam atores e sim  protagonistas reais de tais desgraças. O filme ganhou o prémio do júri no festival de Cannes 2011 e ainda teve 13 nomeações aos prémios de cinema francês (César) e conseguiu uma das melhores bilheteiras em França em 2011.
 O título, Poliss, de acordo com a diretora, foi obra do acaso. Depois de verificar a existência de um filme chamado “Police”, ela viu seu filho fazendo um trabalho escolar e notou um erro na grafia da palavra escrita por ele. E assim o filme é assinado nos créditos iniciais: com uma fonte que alude à escrita de uma criança.
Poliss é um desfile do que há de mais abominável na sociedade, uma narrativa com detalhes sórdidos de como a sociedade está doente.
Se você acha que já viu ou leu tudo sobre o tema, assista Poliss.

Tarantino e o Velho Oeste (by Gian)






Gostaria muito de encontrar alguém que tenha acabado de sair de uma sessão de “Django”, e que nunca tenha ouvido falar de Tarantino, e que entrou no cinema apenas porque é fã de faroeste e achou o pôster do filme maneiro. Queria muito uma opinião assim, leiga, sem influências ou ideologias. Pois quem vai pra ver Tarantino vê Tarantino, encontra o que procura, está lá todo seu estilo visceral, sarcástico, debochado, cru, violento e acima de tudo memorável. Três horas sem tirar de dentro com um roteiro originalíssimo assinado pelo mestre Quentin, onde nada é previsível e o gênero nunca se define: ora estamos diante de uma comédia, ora diante de um drama e várias vezes em um spaguetti-western italiano dos anos setenta.
Serei breve, e não pretendo com esse texto contar nada do que se passa no filme, quem faz o que ou como as coisas acontecem, vá e veja. E mais “Django” deve ser visto no cinema, é um filme feito para cinema.

O tema principal do filme é o racismo e a escravidão, e é desse núcleo que Tarantino constrói uma história bem feira sobre vingança, rendição, amizade, orgulho e amor. É o filme menos experimental do diretor, menos ousado. Tarantino elaborou um grande roteiro e fincou os pés no chão para seguir um caminho seguro e sem margens para erros. Não temos aqui aqueles saltos temporais característicos dele, e os retornos ao passado (nas poucas vezes que ocorrem) são apenas explicativos, voltando a ser linear com começo, meio e fim, nessa ordem. E é esse o ponto que pareceu faltar na obra. Gosto da ousadia que impressiona, que faz os conservadores saírem do cinema revoltados. E apesar das três horas do filme prenderem o expectador na cadeira, acho que se diminuísse pelo menos uns trinta minutos, o resultado ficaria perfeito.
Quem não conhece o diretor e vai ao cinema ver um faroeste, esbarrará em violência crua, visual, sangrenta e explícita, mas tudo bem explicadinho para que nada fique mal interpretado.
Nota 9,0

Trailer aqui!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Tudo por um Oscar (by Gian)



Quando terminei de assistir às duas horas e meia de “Lincoln” eu não pude acreditar que todo esse tempo não me acrescentou praticamente nada em minha formação cultural, no máximo me confirmaram algumas coisas já batidas, como por exemplo, Daniel Day-Lewis é hoje um dos maiores atores vivo do cinema mundial, e que já está mais que na hora de Sally Field se aposentar. E a coisa que ficou mais clara que água cristalina é que Steven Spilberg fez o filme com um único objetivo em mente: Ganhar o Oscar. E seu público que se lixe.

Em todas as grandes produções dirigidas por ele, incluo aqui até aquelas com temas mais delicados como o holocausto em “A Lista de Schindler”, o atentado terrorista em “Munique” ou mesmo a rebelião dos escravos a bordo do “La Amistad”, Spilberg sempre conseguiu emocionar em algumas cenas, prendendo seu público com um roteiro acessível e quase sempre repleto de sentimentalismo e emoção.

Aqui não. Em “Lincoln” temos um filme técnico, com um roteiro que parece ter o freio de mão puxado; que até pode agradar aqueles mais interessados na história dos EUA ou os estudiosos de direito constitucional, mas que de nenhuma maneira vai prender o bumbum do grande público (inclusive os dos estadunidenses, que querem que se dane sua própria história) nos cinemas ou mesmo no sofá de casa.

Por outro lado “Lincoln” é um filme grandioso, a fotografia é deslumbrante, magnífica, Tommy Lee Jones está no melhor momento de sua longuíssima carreira e Spilberg consegue extrair o máximo dele, e apesar de Day-Lewis roubar todas as cenas, é com Tommy Lee que nos afeiçoamos mais, em alguns poucos momentos em que podemos nos afeiçoar com alguma coisa.


O filme gira em torno da Luta de Abrahan Lincoln em aprovar a 13ª Emenda, que iria formalmente abolir a escravidão e consequentemente poderia dar um fim na guerra civil do país. De guerra mesmo só temos o primeiro minuto do filme, os outros 149 minutos é político, mostrando as dificuldades de se governar quando se tem uma oposição conservadora e burra (nesse ponto o roteiro faz lembra um país bem conhecido nosso em um momento bem atual) e a luta do presidente em conseguir convencer a maioria congressista a provar a tal emenda constitucional, na famosa e antiga briga entre democratas e republicanos.

Spilberg faz aquele desfile da Beija-flor, bem feito pra caramba, mas sem muita empolgação. Um filme sem emoção que concorre a doze estatuetas no Oscar de 2013, e que no mínimo vai levar pra casa a de Ator, trilha sonora e fotografia.

E Lincoln coitado, que era para estar feliz lá no céu, pois em 2012 dois filmes levaram seu nome, deve estar chateado, um é bobo demais e o outro é tão sério que fica cansativo.

Nota 7,0