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terça-feira, 22 de março de 2011

Ler...(by Fabi)

Com o advento da Internet, deu-se origem à uma nova "Lingua Portuguesa", a qual jovens de todas as idades, em uma tendência cada vez mais crescente, usam as regras gramaticais de acordo com seus critérios, da maneira que mais lhes convém. Como profissional de educação, cada dia mais, fico impressionada com o despreparo de nossos jovens, com a forma de como a Língua Portuguesa vem sido "assassinada". É muito comum hoje em dia, nos depararmos com redações onde os alunos abreviam tudo (vc, q., qdo).
Isso, quando não extrapolam de vez (axim, ki, iscrevi, delixia, amigah). Nada anormal num contexto virtual, o problema é que eles estão transpondo isso para a escrita regular. São vícios de escrita que são prejudiciais, que num concurso público, numa redação de vestibular, seriam um golpe de morte no candidato. Até pq escrever errado na Internet, leva ao erro ortográfico em qualquer texto.
Percebo pouco interesse dos adolescentes pela leitura, pelos livros em geral. Não há gosto, prazer em ler. A leitura é, na maioria da vezes, feita por obrigatoriedade, mostrando que eles não estão sequer familiarizados com o livro. Uma geração de analfabetos funcionais, que leem, mas não conseguem interpretar, entender o que leram. Dados do último Enem revelam que falta aos jovens, habilidade de argumentação na hora de redigir sobre temas da atualidade e o domínio da leitura compreensiva, ou seja, entender o que leu. Decorrência de quem, obviamente lê pouco. O que será que falta? Investimento em educação? Interesse pessoal de cada um?
Hoje temos os e-readers, substitutos dos livros de papel. Mas na opinião dessa humilde educadora que vos escreve, nada substitui o livro propriamente dito. O cheiro, a sensação tátil, o folhear de página à página, nada pode se interpôr à magia da grande "viagem", ingredientes básicos da imaginação que voa ao lermos um livro de verdade...
Leia!!! Quem lê sabe mais...

terça-feira, 15 de março de 2011

Alento (by Cristiane)


Os cães brigam, saem em bando, são atroplelados, até os aleijados e machucados saem atrás da fêmea no cio. Os veados e muitos outros mamíferos brigam até a morte, alguns berram de maneira agonizante, dolorida. Nas ruas, os homens solitários agem nos cantos, observando, sussurrando indecências; indecorosos.

Sei bem por que agem assim, ser macho em certos momentos é ter uma espada enterrada entre as pernas, com sua ponta e um pouco do comprimento de fora. Nada a ver com sonhos, nem com algo errado no interior. Isso vem de fora, espeta o corpo e o arrasta, fazendo-o vencido. É pior no homem do que em qualquer outro animal, pois esses são irracionais, seguem instintos. No homem dura mais, e pode ter início sem provocação, sem odores – como se de repente um dedo apontasse para o céu.

A espada é afiada, de dois gumes, carregando assim o ferimento ao longo de sua extensão. E sua lâmina corta o tempo todo, e a ferida nada mais é que o próprio pênis, agora estranho de tão grande e ereto.
Os três – homem, lâmina e pênis – sabem as mesmas coisas: que o alívio, na sua universalidade, só pode chegar quando a espada é mergulhada no rio buscado por ela.
Somente o rio é capaz de curar suas feridas naquele instante, dissolver a espada e fazer com que o dedo apontado ao céu desapareça. Nós mulheres, rios de alívio, sofrimento e esperança.

terça-feira, 1 de março de 2011

Não deu Cisne nem Rede (by Gian)

Tendemos a ficar parcial quando gostamos muito de uma coisa, e minha paixão por cinema sempre me faz ser torcedor em dia de festivais, e como o Oscar é o único a ser televisionado, sempre me preparo para assistir com umas cervejinhas e uma lista de favoritos. No último domingo infelizmente dormi, nem chegar a ver o começo, mas mal acordei e corri pra Internet para saber dos premiados.

Dessa vez a academia espalhou os prêmios, “A Origem” e “O Discurso do Rei” levaram quatro prêmios, “Rede social” ganhou três, “O Vencedor”e ‘Toy Store 3” ficaram com dois. “O Discurso do Rei”saiu como o vencedor ao levar os principais de Filme, Diretor, Ator e Roteiro original. Eu estava torcendo por “Rede Social” e “Cisne Negro”, mas admito que o grande vencedor da noite foi o filme mais bonito dos que concorria.

Fui assistir “O Discurso do Rei” no sábado, de má vontade. Primeiro por ser de um diretor que eu nunca havia ouvido falar, e segundo pelos dois concorrentes citados acima. Sou muito fã de Fincher e de Aronofsky, esse último então já entrou no meu rol de gênios do cinema.
Pois bem, com dez minutos de filme o novato diretor Tom Hooper já havia me conquistado: fotografia belíssima (uma injustiça esse prêmio ter ido para “A Origem”), roteiro afinado e direção caprichosa. No final do filme não contive as lágrimas: “Caramba, esse ano a briga vai ser boa”, pensei.

Mas depois, assistindo um compacto de toda a premiação, fiquei triste com resultado. “Cisne Negro” levou apenas o de melhor atriz, uma injustiça com Darren Aronofsky que vem fazendo obra prima em cima de obra prima nos últimos anos. Quem consegue ver e se esquecer de “Réquiem por um sonho”? Ou mesmo o recente “O Lutador” onde entra na desgraça pessoal de um velho praticante de luta livre? Impossível não se emocionar sempre com Darren.
Contudo admito que “Cisne Negro”, assim com os outros da carreira do diretor, é muito forte, aconselhável mais para amantes de sétima arte do que para o público hollywoodiano, e a academia dessa vez optou de homenagear filmes mais convencionais.

Mas valeu, daqui pra frente ficarei de olho nos trabalhos de Tom Hooper, já que em seu segundo longa leva o prêmio de melhor diretor no mais famoso festival de cinema do mundo. Coisa que poucos conseguiram.