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Ideia, cinema, literatura, opinião, crítica, política, Direito, dia-a-dia - Um espaço para escrever, relaxar e soltar o verbo.
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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Sai o ditador, entra o herói (by Gian)


Professores, funcionário e alunos de uma escola estadual em Salvador fizeram uma eleição com o objetivo de mudar o nome da instituição, que desde sua inaugurarão em 1972 leva o nome do então presidente ditador Emílio Garrastazu Médici. O resultado não podia ser melhor, com 69% dos votos ficou decido que a partir do próximo ano letivo a escola levará nome do herói Carlos Marighella, um dos mais importantes heróis do Brasil que participou da luta armada contra o golpe militar, e que foi o fundador do grupo armado Ação Libertadora Nacional, participando de inúmeras batalhas contra o então exército nacional que recebia finanças dos EUA para manter a ditadura no nosso país. Foi morto em uma emboscada depois de ser entregue por companheiros torturados pelo delegado do DOPS de SP Sérgio Fleury.

Em segundo lugar na eleição para a troca do nome ficou o geógrafo Milton Santos, que também lutou contra a ditadura, e que conseguiu o exílio após ter cumprido 6 meses de prisão.
Queria ter a honra de poder estudar na Escola Estadual Carlos Marighella! O currículo ficaria bem mais honroso! Parabéns pela escolha!

domingo, 8 de dezembro de 2013

(by Gian)










Não quero falar de coisas chatas ou tristes.

Cheguei a fazer um texto sobre a morte de Madiba, mas não vou postar. Até porque Fabi foi mais rápida e postou uma linda homenagem sobre esse homem que talvez tenha sido o mais importante da nossa geração, faltou apenas dizer que Mandela foi preso com a ajuda da CIA e dos EUA, e chamado de terrorista por esse governo, e a então primeira-ministra britânica Margaret Thatcher disse: "O CNA - Congresso Nacional Africano, partido de Mandela - é uma típica organização terrorista... Qualquer um que pense que ele vá governar a África do Sul está a viver na terra do faz de conta". E hoje esses mesmos países prestam homenagens a ele. Quanta hipocrisia...Não quero entrar nesse assunto.


Também não vou falar de meu querido Flu que ano que vem vai jogar a segundona. Não dou um centavo do meu dinheiro pra futebol, e é nessa hora que valorizo meus centavos e vejo que lástima é um campeonato cujas regras proporcionam a tal da Mala Branca, com jogador fazendo corpo mole ou juízes mal intencionados.





Mas quero falar de um outro assunto hoje: Medicina.
O maior especialista em reimplante peniano é o médico tailandês Kasian Bhanganada. É bom saber disso, pois caso aconteça algum acidente e seu pênis voe pelos ares, é só pegá-lo, por em uma caixinha de isopor com gelo, comprar uma passagem Rio-Sião, e procurar o hospital em que o tal médico e sua equipe trabalham. De acordo com uma revista local, em um artigo intitulado Intervenção Cirúrgica em amputação epidêmicas em Siam, médico e equipe obtiveram sucesso em 99% das operações, e o fracasso ocorreu somente em um caso, em que o pênis amputado foi parcialmente ingerido por um ganso.

Então, em caso de acidente, vale a pena visitar o sudeste asiático e ser tratado pela melhor equipe especialista em piru do mundo. 

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

1 minuto de silêncio (by Fabi)


Quando alguém como Nelson Mandela parte, o mundo fica mais turvo, mais frio, mais carente. Se é verdade que a gente precisa de ídolos, de mártires, de ícones, hoje, estamos um pouco mais sós. 
A África do Sul hoje está órfã. Morre Madiba, como era chamado carinhosamente pelo povo sul-africano. Acho que nunca na História, um chefe de Estado recebeu tantas honrarias, de tantos outros chefes de Estado. Deu nome até a um pica-pau e à uma orquídea! Prêmio Nobel da Paz em 1993. Governou a África do Sul de 1994 a 1999. Foi inspiração para o cinema no filme Invictus de Clint Eastwood e a primeira vez que a ONU dedicou uma data em particular a uma pessoa, foi em 18 de julho (data de seu aniversário). Em 2010, mesmo já bastante debilitado, encantou o planeta na Copa da África, juntamente com seu povo, com suas danças, coloridos e alegria.
Esteve 27 anos preso durante o regime do Apartheid, por acreditar na igualdade entre as pessoas, por ser contra a ditadura da raça, acreditando que ninguém poderia nascer odiando outro ser humano, que isso nos era ensinado e se o ódio podia ser ensinado, o amor também poderia. Mesmo em cativeiro manteve audível a sua voz e suas ideias, que eram  divulgadas sem muitos recursos e sem nossas ferramentas atuais. Em 6 ocasiões o governo segregador do Apartheid ofereceu-lhe a liberdade e ele recusou em todas elas, justificando-se:
 “Eu me preocupo com a minha própria liberdade, mas eu me preocupo ainda mais com a de vocês. Que tipo de liberdade me está sendo oferecida enquanto a organização do povo permanece banida?”.
Muito irá se falar desse homem agora. Muito mais homenagens ele receberá.
Ele marcou sua geração e as posteriores. Que as gerações vindouras possam conhecer e entender a história desse, que semeou igualdade, liberdade e fraternidade entre o ser humano, pois cria que somente existia uma raça: a raça humana!


Vá ser livre, Mandela!



segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Vomitando clichês (By Gian)



Não é do meu feitio reproduzir textos de outras pessoas aqui neste blog, acho que se criamos um espaço para idéias, elas devem ser exclusivamente nossas, permitindo no máximo alguma citação ou frase de efeito que possa caracterizar ou explicar melhor a narrativa.Todavia, abrirei uma exceção por um motivo muito especial: O texto que reproduzirei abaixo tem uma consonância muito forte com o fato de eu não ter mais Facebook ou de evitar qualquer contato com redes sociais. Pois além de eu odiar expor minha vida pessoal para quem quer que seja, e não me interessar à mínima para essa falsa felicidade de minuto que são postadas via fotos ou mini-relado a cada instante, o que mais me aterrorizava eram os relinchos burros e repetitivos de idéias criadas por meia dúzia de preconceituosos e que viravam clichês nas postagens daqueles que não pensam com a própria cabeça, mas relincham. E para eu não ter que ler diárias idiotices, e não me estressar em uma linda manhã de domingo, eu com toda a felicidade do mundo e nenhum arrependimento, excluí meu Facebook.
E agora, passando os olhos em textos inteligentes, me deparei com esse, do pensador Matheus Pichonelli, que vai direto ao ponto, que constrói todo o sentimento que tive de responder a algumas mensagens burras e clichês que invariavelmente eu recebia nos meus tempos de redes sociais.

“Não penso, logo relincho”

“Negros têm preconceitos contra eles mesmos” -Tentativa clássica de terceirizar o próprio racismo, é a frase mais falada das redes sociais durante o Dia da Consciência Negra. É propagada justamente por quem mais precisa colocar a mão na consciência em datas como esta: pessoas que nunca tomaram enquadro na rua nem foram preteridas em entrevistas de emprego sem motivos aparentes. O discurso é recorrente na boca de quem jamais se questionou por que a maioria da população brasileira não circula em ambientes frequentados pela elite financeira e intelectual do País, como universidades, centros culturais, restaurantes, shows e centros de compra. Tem a sua variação homofóbica aplicada durante a Parada Gay. O sujeito tende a imaginar que Dia Branco e Dia Hétero são equivalentes porque ignora os processos históricos de dominação e exclusão de seu próprio país.
“Não precisamos de consciência preta, parda ou branca. Precisamos de consciência humana” - Eis uma verdade fatiada que deixa algumas perguntas no contrapé: o manifestante a exigir direitos iguais não é gente? O que mais se busca, nessas datas, se não a consciência humana? Ou ela seria necessária, com ou sem feriado, caso a cor da pele (ou o gênero ou a sexualidade) não fosse, ainda hoje, fatores de exclusão e agressão?
“Héteros morrem mais do que homossexuais. Portanto, somos mais vulneráveis” -É o mesmo que medir o volume de um açude com uma régua escolar. Crimes como homicídio, latrocínio, roubo ou furto têm causas diversas: rouba-se ou mata-se por uma carteira, por ciúmes, por fome, por motivo fútil, por futebol, mas não necessariamente por causa da orientação sexual da vítima. O argumento é utilizado por quem nunca se perguntou por que ninguém acorda em um belo dia e decide estourar uma barra de ferro na cabeça de alguém só porque este alguém gosta e anda de mãos dadas com alguém do sexo oposto. O crime motivado por ódio contra heterossexuais é tão plausível quanto ser engolido por uma jaguatirica em plena Avenida Paulista.
“Estamos criando uma ditadura gay (ou racial) no Brasil. O que essas pessoas querem é privilégio” - Frase utilizada por quem jamais imaginou a seguinte cena: o sujeito acorda, vê na tevê sempre os mesmos apresentadores, sempre as mesmas pautas, sempre as mesmas gracinhas. No caminho do trabalho, ouve ofensas de pedestres, motoristas e para constantemente em uma mesma blitz que em tese serviria para todos. Mostra documento, RG. Ouve risada às suas costas. Precisa o tempo todo provar que trabalha e paga imposto (além, é claro, de trabalhar e pagar imposto). Chega ao trabalho e é recebido com deferência: “oi boneca”; “oi negão”; “veio sem camisa hoje?”. Quando joga futebol, vê a torcida imitando um macaco, jogando bananas ao campo, ou imitando gazelas. E engasga toda vez que vira as costas e se descobre alvo de algum comentário. Um dia diz: “apenas parem”. E ouve como resposta que ele tem preconceito contra a própria condição ou está em busca de privilégio. Resultado: precisamos de um novo glossário sobre privilégios.
“Os homens também precisam ser protegidos da violência feminina” - Na Lua, é possível que a violência entre gêneros seja equivalente. Na Terra, ainda está para aparecer o homem que apanhou em casa porque foi chamado de gostoso na rua, levou mão na bunda, ouviu assobios ou ruídos com a língua sem pedir a opinião da mulher. Também não há relevância estatística para os homens que tiveram os corpos rasgados e invadidos por grupos de mulheres que dominam as delegacias do País e minimizam os crimes ao perguntar: “Quem mandou tirar a camisa?”.
“O Lula não foi pro SUS por saber que merda é a Saúde pública” – É, também não é julgado pro juizes de primeiro grau, como também não tem a PM como segurança particular, assim como não almoça no restaurante popular. Como nenhum chefe de Estado do mundo.Uma questão de segurança, meus caros "intelectuais".
 “Bolsa Família incentiva a vagabundagem. Pegar na enxada e trabalhar ninguém quer” -Há duas origens para a sentença. Uma advém da bronca – manifestada, ironicamente, por quem jamais pegou em enxada – por não se encontrar hoje em dia uma boa empregada doméstica pelo mesmo preço e a mesma facilidade. A outra origem é da turma do “pegar o jornal e ler além do horóscopo ninguém quer”; se quisesse, o autor da frase saberia que o Bolsa Empreiteiro (que também dispensa a enxada) consome muito mais o orçamento público do que programa de transferência de renda. Ou que a maioria dos beneficiários de Bolsa Família não só trabalha como é obrigada a vacinar os filhos, manter a regularidade na escola e atravessar as portas de saída do programa. Mas a ojeriza sobre números e fatos é a mesma que consagrou a enxada como símbolo do nojo ao trabalho.
“Na ditadura as coisas funcionavam” - Frase geralmente acolhida por pacientes com síndrome de Estocolmo. Entre 1964 e 1985, a economia nacional crescia para poucos, às custas de endividamento externo e da subserviência a Washington; universalização do ensino e da saúde era piada pronta, ninguém podia escolher os seus representantes, a imprensa não podia criticar os generais e a sensação de segurança e honestidade era construída à base da omissão porque ninguém investigava ninguém. Em todo caso, qualquer desvio identificado era prontamente ofuscado com receitas de bolo na primeira página (os bolos eram de fato melhores).
“Você defende direito de presos porque ele não agrediu ninguém da sua família” - É o sofisma usado geralmente contra quem defende o uso das leis para que a lei seja garantida. Para o sujeito, aplicação de penas e encarceramentos são privilégios bancados às custas dele, o contribuinte. Em sua lógica, o Estado só seria efetivo se garantisse a sua segurança e instituísse a vingança como base constitucional. Assim, a eventual agressão contra um integrante de uma família seria compensada com a agressão a um integrante da família do acusado. O acúmulo de experiência, aperfeiçoamento de leis e instituições, para ele, são papo de intelectual: bons eram os tempos dos linchamentos, dos apedrejamentos públicos, da Lei de Talião. Falta perguntar se o defensor do fuzilamento está disposto a dar a cara a tapa, ou a tiro, quando o filho dirigir bêbado, atropelar, agredir e violentar a família de quem, como ele, defende penas mais duras para crimes inafiançáveis.
“A criminalidade só vai diminuir quando tiver pena de morte no Brasil” - Frase repetida por quem admira o modelo prisional e o corredor da morte dos EUA, o país mais rico do mundo e ao mesmo tempo o mais violento entre as nações desenvolvidas. Lá o crime pode não compensar (em algum lugar compensa?), mas está longe de ser varrido junto com seus meliantes.
“Político deveria ser tratado por médico cubano” - Tradução: “não gosto de política nem de cubano”. Pelo raciocínio, todo paciente tratado por cubanos VAI morrer e todo político que precisa de tratamento médico DEVE morrer. Para o autor da frase, bons eram os tempos em que, na falta de médico brasileiro, deixava-se o paciente morrer – ou quando as leis eram criadas não pelo Legislativo, mas pelo humor de quem governa na canetada.
“Deveriam fazer testes de medicamento em presidiários, não em animais”- Também conhecida como “não aprendemos nada com a parábola do filho Pródigo que tantas vezes rezamos na catequese”. É citada por quem não aceita tratamento desumano contra os bichos, mas não liga para o tratamento desumano contra humanos. É repetida também por quem se imagina livre de todo pecado e das grandes ironias da vida, como um certo fiscal da prefeitura de São Paulo que um certo dia criticou o direito ao indulto de presidiários e, no outro, estava preso acusado de participação na máfia do ISS. É como dizem: teste de laboratório na cela dos outros é refresco.
“Por que você não vai para Cuba?” - Também conhecida como “acabou meu estoque de argumentos. Estou andando na banguela”.