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sexta-feira, 25 de maio de 2018

Proximidades (Tesnota)


Peculiar e promissor o longametragem de estreia do jovem diretor russo de apenas 27 anos, Kantemir Balagov, que usa como pano de fundo a cidade onde nasceu, Nalchik, capital da República de Kabardino-Balkaria na Federação Russa, historicamente muçulmana, onde no final dos anos de 1990 eram comuns os sequestros de membros das comunidades locais, perigosamente interligadas por questões étnicas e religiosas.  Nesse período turbulento de tensões políticas interna e externa pós desmonte da União Soviética e guerra da Chechênia, jovens têm seus próprios grupos fechados de relacionamento e opiniões. Ilana é uma dessas garotas da região, tem 24 anos e prefere o simples emprego na oficina do próprio pai ao serviço indicado pelo rabino da família, onde ganharia mais, contudo a deixaria mais próxima aos costumes de uma religião que não prioriza. Sua rotina muda quando seu irmão é sequestrado com a noiva na noite do casamento, e a quantia do resgate não pode ser paga pela família, tendo que pedir ajuda para a comunidade judaica da qual fazem parte, e a partir daí diferenças familiares vem a toma e as antigas proximidades serão alteradas para sempre.

O filme presta homenagem ao grande mestre do cinema soviético Alexander Sokurov , que também é o produtor do filme. Foi vencedor do prêmio Un Certain Regard (Seção Oficial Festival de Cinema de Cannes 2017), e menção especial para a atriz Darya Zhovner no Festival de Cinema de San Sebastián, 2017. Nota 8,5

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Sem Deus "Bezbog"


Ainda que saibamos que estamos rodeados de injustiça e que o sorteio para uma possibilidade de vida harmoniosa e feliz aconteça no berço, ou seja, demande do momento e do local em que entramos nesse mundo; ainda teimamos em crer que podemos mudar destinos e fazer do mundo um lugar melhor de se habitar, mesmo percebendo que as coisas parecem caminhar ao contrário.  Para aqueles que nascem e morrem em locais miseráveis, Sem Deus, a desesperança se faz presente como parte normal realidade. Ali naquela cidade Búlgara isolada, onde o comunismo sugou e não socorreu, e o capitalismo chegou somente na sua forma mais selvagem de corrupção, a população idosa é maioria, o sistema de seguridade social é burocrático e pouco eficaz, e a enfermeira Gana é uma dessas cuidadoras/assistentes que vão de casa em casa prestar ajuda aos mais necessitados, os dementes, os que não tem condições de arcar com seu próprio sustento. Porém a vida de Gana também não é feliz, ela tem problemas com a mãe desempregada, é viciada na morfina que furta dos próprios pacientes, e ainda faz parte do mercado negro de venda de CPF dos idosos para fraudes nos poucos benefícios que governo ainda disponibiliza. O novo filme da búlgara Ralitza Petrova, vencedor do Leopardo de Ouro no último Festival de Locarno, é frio, cinza e triste, mas de alguma forma impressiona exatamente no visual, tendo como pano de fundo edifícios semiabandonados, violência física e psíquica contra os mais fracos, e uma total desesperança em qualquer futuro imediato. Os barulhos que os velhinhos ouvem na madrugada são tiros? Estão matando idosos que não querem dar seus documentos pessoais?  Esses tiros estão soando no prédio? Nós preferimos nos tranquilizar, imaginando que eles são apenas portas batendo. Nota 8,0