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quinta-feira, 3 de maio de 2018

Sem Deus "Bezbog"


Ainda que saibamos que estamos rodeados de injustiça e que o sorteio para uma possibilidade de vida harmoniosa e feliz aconteça no berço, ou seja, demande do momento e do local em que entramos nesse mundo; ainda teimamos em crer que podemos mudar destinos e fazer do mundo um lugar melhor de se habitar, mesmo percebendo que as coisas parecem caminhar ao contrário.  Para aqueles que nascem e morrem em locais miseráveis, Sem Deus, a desesperança se faz presente como parte normal realidade. Ali naquela cidade Búlgara isolada, onde o comunismo sugou e não socorreu, e o capitalismo chegou somente na sua forma mais selvagem de corrupção, a população idosa é maioria, o sistema de seguridade social é burocrático e pouco eficaz, e a enfermeira Gana é uma dessas cuidadoras/assistentes que vão de casa em casa prestar ajuda aos mais necessitados, os dementes, os que não tem condições de arcar com seu próprio sustento. Porém a vida de Gana também não é feliz, ela tem problemas com a mãe desempregada, é viciada na morfina que furta dos próprios pacientes, e ainda faz parte do mercado negro de venda de CPF dos idosos para fraudes nos poucos benefícios que governo ainda disponibiliza. O novo filme da búlgara Ralitza Petrova, vencedor do Leopardo de Ouro no último Festival de Locarno, é frio, cinza e triste, mas de alguma forma impressiona exatamente no visual, tendo como pano de fundo edifícios semiabandonados, violência física e psíquica contra os mais fracos, e uma total desesperança em qualquer futuro imediato. Os barulhos que os velhinhos ouvem na madrugada são tiros? Estão matando idosos que não querem dar seus documentos pessoais?  Esses tiros estão soando no prédio? Nós preferimos nos tranquilizar, imaginando que eles são apenas portas batendo. Nota 8,0

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