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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

O Vampiro Capitalista (by Gian)



Alguém sente saudade do passado “mutante” de Cronenberg?
Eu até que curto aqueles temas mais filosóficos da “juventude cinematográfica Cronenberguina”, onde víamos as perversões sexuais levadas ao extremo no ótimo “Crash – estranhos prazeres”, ou no perturbador e angustiante “eXistenZ”, em que uma programadora de jogos cria uma porta com base na espinha das pessoas e passa controlar vidas humanas. Surrealismo, fantasias bem filmadas e roteiros antinaturais que nos faziam passar por um portal e seguir em um mundo abstrato, bizarro e novo.

Mas Cronenberg mudou radicalmente nos últimos anos, sua obsessão parece ter mudado do surrealismo bizarro para o gênero em que mal uso do poder gera inevitáveis conseqüências, como aconteceu nos ótimos “Marcas da Violência”, “Senhores do Crime”e “Um método perigoso”.
E agora em 2012, para quem sentia saudade, a loucura novamente se apoderou da mente do diretor, e seu novo trabalho é um tanto difícil de digerir. “Cosmopolis”, trás o badalado Robert Pattison na pele de um milionário jovem que transforma sua limusine numa espécie de escritório móvel e faz um tour de um lado ao outro da cidade com o objetivo de cortar o cabelo. No lado de fora e ao redor do seu carro está todo reflexo de um sistema capitalista que transforma a maioria da população no extremo oposto do que um jovem milionário é. Porém a limusine blindada e totalmente segura de qualquer invasão o deixa a parte de qualquer manifestação ou perigo.
Com diálogos ora inteligentes, ora surreais, Cronenberg mostra o vazio existencial do jovem dentro de um universo só seu,  livre do perigo que seu próprio dinheiro criou e preso em um cárcere com todas as tecnologias e regalias que o dinheiro pode comprar.
Apesar de jovem e milionário o personagem de Pattison é medroso, teme o exterior da sua jaula, vive imerso em uma profunda apatia e sofre de síndrome do pânico. Um mundo aparentemente perfeito que as pouco, bem aos poucos, está se desmoronando por alguns simples erros. É uma metáfora sobre o capitalismo do século XXI.

2 comentários:

  1. Gian, é nóis, me passa teu email que eu vou aí no Rio no final do ano e quero marcar de tomar uma ceva com a galera. Abraço!

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