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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Go Go Tales


Falar em Abel Ferrara é falar um pouco do cinema independente estadunidense; nunca preocupado com sua reputação de cineasta dentro de grandes estúdios, Ferrara é aquele aluno que senta na última cadeira da sala de aula e tem como companhia os excluídos, aqueles "maus elementos", os malditos que vira e mexe estão caminhando na contra mão das tendências hollywoodianas. O diretor frequentemente é visto com Christopher Walken, Joe Cortese, Harvey Keitel, David Caruso, Annabella Sciorra, Paul Calderon, Asia Argento, Willem Dafoe, e cia, sendo esse último seu principal aliado nas atuações de seus filmes. “Go Go Tales” é uma bela metáfora ao cinema rebelde, cuja referência está no clube de striper  Paradise Lounge de Ray Ruby, um local hoje pouco frequentado, com dívidas trabalhistas, máquinas com defeito e alugueres atrasados. Ray (Dafoe) dá o nome e a alma pelo estabelecimento, investe e suborna, aposta e sonha em algo que já ficou esquecido no passado. O pouco do dinheiro que ainda sobra é usado no jogo, na tentativa de que do acerto na loto possa estar o investimento que acha necessário para a recuperação da casa. O diretor de fotografia faz um passeio de quase duas horas pelo interior de uma boate onde existem talentos individuais sem visibilidade, nessa fábula autodepreciativa que indiretamente expõe um dos problemas da sétima arte na atualidade: a preferência do público ao borrão. Apesar de ter sido filmado pelo renomado diretor norte americano Abel Ferrara, o filme não teve seus direitos comprados nos Estados Unidos, não sendo exibido em nenhum de seus cinemas, exceto numa mostra em NY intitulada "Abel Ferrara no século XXI" . O longa, sem muita explicação, foi excluído da competição no Festival de Cannes, e foi exibido no festival internacional de cinema de Montreal.  Nota 7,5

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