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sábado, 21 de abril de 2012

Alma ao Diabo (by Gian)


Fausto é o filme que fecha a tetralogia de Alekssandr Sukorov do Poder Totalitário, e dessa vez ele não recorre a personagens reais como das três vezes anteriores, em que baseou suas obras em Hitler, Lênin e Hiroito, nesse trabalho ele se baseia livremente na obra de Goethe que fala desse enigmático personagem que vende sua alma ao Diabo.
Chegando atrasado na premiação de Veneza por estar proibido na Rússia, e ainda mais atrasado aqui no Brasil, “Fausto” conquistou o festival mais cobiçado da Itália, levando o Leão de Ouro em um júri cujo presidente era ninguém menos que Darren Aronofsky. Essa introdução já dispensa maiores apresentações sobre a obra em questão.

Terror, drama, desejo e filosofia se unem na fotografia crua de Bruno Delbonnel ao nos focar no Dr. Fausto: médico, teólogo, astrônomo, cientista e jurista, que sonha com profundos e ilimitados conhecimentos, com respostas precisas sobre Morte, Deus, alma, eternidade.O filme se inicia com uma autopsia, os primeiro minutos é a tentativa do médico em encontrar a alma humana dentro do defunto. Com fome, desânimo e desesperado em não dirimir suas dúvidas Fausto vai penhorar uns objetos e encontra com Mefistófeles que o faz assinar um termo e sai com ele para vagar sobre o vilarejo local, numa estranha relação de impaciência e amizade.
Imagens distorcidas dão aspecto sombrio ao filme, que parece estar sendo sonhado por algum dos personagens. O Diabo tem uma fixação por estátuas relacionadas a Jesus Cristo e ao cristianismo, sempre que as vê ele vai beijar-lhas na boca, fazer insinuações obcenas, que podemos interpretar como provocação ou como um objeto de fetiche. O filme não lembra em nada “O Anticristo” de Lars Von Trier, mas é lotado de sentidos figurados, situações sombrias e absurdas. É incômodo por não nos deixar tomar partido ou torcer, já não temos os heróis ou os vilões característicos de filmes de terror, é real por lidar com a natureza humana, e é fantástico e assustador pela precisão em mostrar a nossa triste existência na luta pela felicidade.

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