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quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Números de uma sociedade machista (by Gian)

Quando penso que estamos progredindo, não apenas no aspecto político, mas também no humano, percebo que ainda engatinhamos na corrida em busca uma sociedade mais igual, mais justa. Acabamos de eleger o congresso mais conservador dos últimos tempos, a bancada evangélica e ruralista aumentou, o deputado mais votado do nosso estado foi nada menos que Jair Bonsonaro, e os bons que foram eleitos, aqueles que buscam diminuir o preconceito e a intolerância, já terão que viver isso em grande escala dentro do próprio local de trabalho.
Acaba de sair os números de uma pesquisa realizada pelos institutos Avon e Data Popular, cujo título é "Violência contra a mulher: o jovem está ligado?”, em que os números assustam:

# A maioria (78%) das jovens brasileiras entre 16 e 24 anos já sofreram algum tipo de assédio em espaços públicos, sejam cantadas ofensivas (68%), toques indesejados em baladas e festas (44%) ou assédios no transporte público (31%).
#  Entre os rapazes entrevistados, 30% dizem que a mulher que usa decote e saia curta está se oferecendo. Entre as mulheres, 20% concordam com a afirmação. A maioria dos jovens ouvidos (76%) acha errado uma mulher ter vários “ficantes” e ir para a cama no primeiro encontro (68%).
#  Sobre a família, 43% dos jovens entrevistados disseram já ter visto a mãe ser agredida pelo parceiro e 47% deles interferiram em defesa da mãe. Entre os homens que vivenciaram a violência doméstica, 64% admitiram ter praticado algum tipo de agressão contra alguma companheira. Entre aqueles que não têm o histórico na família, 47% já agrediram a parceira.
# Entre as mulheres, 9% admitiram já ter sido obrigadas a fazer sexo quando não estavam com vontade, e 37% já tiveram relação sexual sem camisinha por insistência do parceiro.
#  75% das mulheres entrevistadas já sofreram violência em relacionamentos. A maioria delas (66%) já admitiu ter recebido xingamentos, empurrões, ameaças, tapas, ameaças com armas ou já ter sido proibida de sair de casa, sair à noite, usar determinada roupa ou ter sido obrigada a fazer sexo sem vontade. Mais da metade dos homens (55%) afirmaram já ter praticado algum desses atos.
Só em 2013, foram registradas 5.664 mortes violentas de mulheres, o equivalente a um óbito a cada uma hora e meia, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. No primeiro semestre deste ano, o canal de atendimento à mulher Ligue 180 recebeu 30.625 denúncias de violência. Ao todo 82,8 2% das vítimas tinham relação familiar com o agressor e 11,2%, relação afetiva, segundo a Secretaria de Políticas para Mulheres, do governo federal.

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