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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A Auto-exclusão filmada (by Gian)

Depois que descobri a facilidade de se baixar um filme pela Internet, em alta resolução, legendado ou não, colocá-lo no Pen Drive sem nenhum gasto e assisti-lo tomando minha cervejinha, perdi minha mania incessante de ir ao cinema. Principalmente agora que não pago mais meia-entrada e tenho que morrer em dezesseis Reais, sem a cervejinha.
Seria isso uma forma de auto-exclusão da vida social?

Então, ontem resolvi relembrar o antigo hábito de ir ao cinema.

Assisti “A Rede Social” o novo filme do sensacional David Fincher, que fala de sucesso, dinheiro, ganância, e acima de tudo, exclusão da vida social.
Não vou me atar numa crítica detalhada do filme, que por sinal é maravilhoso, mas sim fazer um breve comentário da vida pós-facilidade-internet.

Uma briga com a namorada num Pub, e um grande aluno de Harvard vai para seu alojamento, abre o Lap Top, descarrega à raiva que tem dela no blog, e resolve vingar-se de todas as mulheres da faculdade fazendo um site que escolhe a mais gostosa. E assim foi dado o primeiro passo que tornou bilionário o jovem Mark Zuckerberg, criador do Facebook.
O contado com a namorada, mesmo em clima de término, talvez tenha sido o último social na vida de Zuckerbeg..
A inteligência de um rapaz “nerd”, cuja sorte com mulheres era pequena, e a vontade de crescer num campo cuja intelectualidade ultrapassava a de seus próprios mestres, fazem dele um rapaz triste, solitário e rancoroso. Todavia, sua maior façanha foi a de transformar de forma veloz raiva em dinheiro.

Mas o tema da descartabilidade das relações interpessoais nos dias de hoje chama muita mais atenção do que a história de um garoto que antecipou essa visão e criou um lugar onde possamos nos relacionar sem nos encontrar.
Hoje em dia é mais comum as pessoas ficarem grande parte do tempo em Facebook, Orkut, MSN, tendo aquele orgasmo mental com pessoas que às vezes nem conhece, do que chamar os amigos pra um bom chopp, ou mesmo para uma reunião entre entes queridos. A fofoca, a intromissão fácil na vida alheia, tornou-se atrativos mais interessantes do que um sorvete ou uma conversa num shopping.
Não posso me adentrar muito na questão de tempo perdido com baboseiras de redes sociais, pois não perco o meu com isso, mas assusta o nível de freqüência diária e o índice de acessos a essas redes. Isso é fruto de uma carência de contato físico que a Internet vem acumulando nas pessoas ao logo de sua existência. Quem não saí de casa numa sexta-feira à noite provavelmente vai estar na Internet em busca de um alívio mais imediato pra sua falta de companheirismo. Digamos que a Internet passou a ser o substituto da televisão, só que dessa vez temos um retorno da nossa desgraça de forma mais compatível, ou seja, outro carente estará do outro lado da cidade, ou do mundo, para nos acompanhar na amenização do sofrimento.
“Rede Social” fala sobre o pontapé inicial dessa falência interpessoal a que somos destinados.

Do lado cinematográfico, David Fincher faz o melhor trabalho de sua vida. O filme é quase um “Cidadão Kane” moderno. Alias, o roteiro chove em referências a obra prima de Orson Wells, contudo não quero comparar Fincher com o Wells. Ainda não nasceu diretor estadunidense que filmasse como Wells, e dificilmente um filme chegará ao nível de “Kane”, mas dessa vez fincher chegou bem perto.
Oscar? Sim, com certeza alguns virão. “Rede Social” ao meu ver é o melhor filme de 2010.

2 comentários:

  1. Tb adorei o filme!! rsrsrs
    Agora só falta vc entrar no face!!!
    ‎"Ninguém consegue 500 milhões de amigos, sem fazer alguns inimigos."

    Beijosss

    PS: Um dia ainda aprendo a assinar meu nome aqui....

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