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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Sem Título (By Cristiane)

Há uma compulsão pior do que a nostalgia: a de voltar ao local que outrora fomos felizes e encontrarmos com a infelicidade presente, e o pior, saber que somos incapazes de corrigi-la.
Quando voltei a minha cidade, reencontrei meus amigos e suas vidas se arrastavam em torno deles como colchas inacabadas. E, para minha surpresa, minha antiga residência desaparecera, soterrada, perdida com todas as suas lembranças. Seu terreno agora é um monte de entulho, mato, cascalho e lama. Andei de um lado para o outro pelo quarteirão desnivelado, e os escombros haviam sido tão bem destruídos que nem mesmo um tijolo inteiro encontrei.

Mães desesperadas sem filhos, órfãos perambulando. Ouvi um carro da polícia pedindo pra eu “evacuar área, risco de explosão, odor de gás”. Não sinto mais cheiro, não sinto mais coisas obvias.
Outra tempestade cai; idosos correm pelas ruas, tropeçam na lama, seus embrulhos caem, alguns são abandonados. É como se ondas se quebrassem sobre nós, já tentou correr numa onda?
Alguém fala para nos afastarmos das árvores. E se algum galho se parte e cai sobre nós? Alguém fala para ficarmos debaixo das árvores, do contrário corremos o risco de sermos arrastados pela água. Nada faz sentido.

Observei um senhor chorando com uma foto. É de um menino de cabelos longos.
Ele me indicou umas madeiras onde eu poderia pisar com cuidado e não cair na correnteza do rio, eu pulei por três ou quatro vezes, sem tropeços, me virei para agradecer. O senhor já não estava mais atrás de mim.

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