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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Servidão Serva Sérvia




Você pode achar um absurdo que a primeira cena do filme seja a de um rapaz que parece ameaçar a menina, e que ela aparentando medo se deixe bolinar enquanto é filmada pelo celular, câmera essa usada em grande parte do filme para mostrar sexualidades. Mas estamos diante de um filme de amor.
Você pode achar que já deu no saco esses filmes com adolescentes se drogando e abusando do álcool, e que essa rebeldia já foi filmada mundo afora desde a década de cinquenta, e nada mais é novo, ou assusta. Mas dessa vez, estamos diante de um filme de amor.
E se você é conservador, evangélico ou moralista, e não desligar o filme nas primeiras cenas de masturbação, e aguentar calado o sexo oral explícito, ou mesmo o rapaz se masturbando e jorrando esperma na barriga da menina, você vai ver que se trata de um filme de amor.
Então, se você começar a se interessar pelos personagens, e ver que há sentimento envolvido entre jovens que vivem em um país cujo passado recente foi marcado pela guerra civil, e de que toda sua história envolve anexações, separações territoriais, mudanças drásticas de política econômica, e dúvidas quanto a um futuro
de paz, você vai ver que se trata de filme de amor.
E se você não notar isso, e perceber somente um bando de delinqüentes juvenis que fazem mau uso da tecnologia, que não respeitam os próprios parentes doentes, e que não tem nem mesmo amor próprio, você vai ver que CLIP é um filme triste, com a clara intenção de incomodar, e que mostra os problemas da Sérvia por um ângulo perturbador, imoral, mascarado por pornografia e erotismo vulgar.  E de caos a caos, de cena a cena, o filme ainda vai tentar te passar, mesmo que na sua última cena, que estamos sim diante de um filme de amor.

Nota, 70

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