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sábado, 28 de abril de 2018

Em Pedaços "Aus dem Nichts"



Em tempos de intolerância política e preconceito de classe, onde ao lado da nossa casa o assassinato covarde de Merielle Franco é menosprezado e até mesmo aplaudido, e um pouco além dos muros do nosso quintal o neofascismo é construído com a inércia de grande parte da sociedade, o nosso filme de Fatih Akın cai como uma luva. Descendente direto de turcos, mas nascido na Alemanha, o diretor já sentiu na pele o preconceito e a dificuldade de manter suas tradições em um pais com forte histórico de violência racial. Divido em três partes que poderiam muito bem servir como curta metragens independentes, mas que se completam, o filme toma como prioridade a visão feminina da viúva, que perde o marido e filho de seis anos em uma explosão terrorista em frete ao estabelecimento de trabalho, restando claro que o alvo era realmente as vítimas.  Apesar de quase totalmente linear – com a exceção das poucas passagens de lembranças e saudades da personagem principal – é impossível não voltarmos ao passado para fazermos uma avaliação do ocorrido, e até mesmo nos colocarmos no lugar dessa família de origem estrangeira que por problemas em um passado remoto quase se transforma em culpada, mesmo com toda a obviedade das provas mostrada no tribunal sobre a motivação do atentado. Para os espectadores da área jurídica (como eu), o filme tem um atrativo a mais: a ratificação de que as vezes por mais que lutamos por uma verdade, teremos contra nós reacionários, partidários ou não da extrema direita, que farão de tudo para que a impunidade prevaleça, para assim camuflarem o ódio e o preconceito, dando ainda mais forças ao machismo, xenofobismo, homofobia e toda a violência direcionada às classes economicamente menos favorecidas. Acima de tudo, é uma denunciação a nova tendência de inverter valores. Foi premiado no Festival de Cannes 2017 – Melhor Atriz – Diane Kruger, e levou o Globo de Ouro na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Nota 9.5

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