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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

E a água levou ...(By Gian)



O diretor espanhol Juan Antonio Bayona se transformou em promessa no seu país quando dirigiu o excelente “O Orfanato” com apenas 32 anos. Com um jeitão de garoto responsável Bayona atraiu olhares internacionais para seu o trabalho, não tardando e ser seduzido por Hollywood na promessa de uma mega produção blockbuster. Com milhões de dólares injetados na realização do “O Impossível” Bayona teve sua maior felicidade na escolha do elenco: Ewan McGregor, Tom Holland e principalmente Naomi Watts atuam de forma exemplar na verdadeira história de uma família que vai passar o natal na Indonésia e é atingida dentro do hotel pelo Tsunami, separando-os pela imensa invasão do mar. Os primeiros vintes minutos de filme são de tirar o fôlego, as cenas estão tão bem filmadas e editadas que Bayona consegue transformar um paraíso aparentemente seguro em um inferno angustiante.

Mas a possível confiança do diretor numa boa história pode ter sido a causa da sua perda de foco. Depois do espetáculo visual da destruição de tudo que era bonito Bayona força demais na pretensão de querer emocionar. Uma história que já é tocante naturalmente, principalmente sendo real, não necessita de algumas técnicas cinematográficas Hollywoodianas usadas e abusadas pelo roteiro para fazer o público derramar lágrimas. Mas o filme é “honesto”, ele não tem a pretensão de reconstruir o horror causado pelo tsunami, suas terríveis conseqüências em um povo pobre. Ele recria o caso extremo de sobrevivência de uma família rica que estava na hora errada e no lugar errado, de uma mulher que é médica e que luta com todas as forças para salvar tanto sua vida como a de seu filho e a de outro menino perdido. E dinheiro aparece o tempo todo na tragédia, só que de forma publicitária: vemos marcas de cerveja, de refrigerante, de biscoito e até uma firma de seguros (a multinacional Zurich), cujo representante surge dizendo que “agora está tudo bem”, colocando-os em um avião seguro e os mandando quentinhos para casa, tirando-os da tragédia que uniu todas as raças. Como se tudo estivesse ficado bem. E depois sobem as letrinhas dos créditos. Happy End.

Nota: 6,0

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