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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Quando dói em mim ... (by Gian)


Incomodou-me profundamente a autobiografia “3096 dias de Natascha Kampush”, cuja leitura me fez perder o sono por momentos de raiva, amor e indignação. Pra quem não se lembra, a pequena Natascha foi seqüestrada aos dez anos de idade, e ficou em um minúsculo quarto por quase nove anos sob constante vigilância de um louco chamado Wolfgang Priklopil. No livro ela narra detalhadamente o medo diário da morte, a fome, a perda da noção de tempo, e as surras a que era submetida quase que diariamente, e ao mesmo tempo deixa implícito um certo amor pelo seqüestrador, que era a única pessoa a que tinha contato e que a mantinha viva. O livro é forte, parece escrito com lágrimas, raiva, e um desgosto da vida e de toda a sociedade. Tanto é assim que ao término da leitura duvidei de que a vítima ainda esteja recuperada do trauma sofrido pelos anos de cativeiro, e acho mesmo que, se o relato fosse feito mais para o futuro, ela não seria tão dura nas palavras. De toda forma, é um livro que me marcou.

Aprendi com isso a não ler mais autobiografias de crianças e adolescentes, já que fico sempre impressionado. Imagens vêm a minha cabeça, sofro com seus momentos de desespero e de dor, tudo chega a mim como se eu fosse intimo da pessoa.

Quando era novo li “Feliz Ano Velho” do Marcelo Rubens Paiva, nunca mais encarei uma cachoeira de frente, sempre que entro em uma me vejo batendo em pedras, impossibilitado de me mover e afundando nas águas. Via-me paralítico, tendo que me comunicar com os olhos, escrever com a ponta do nariz, sabendo que nunca mais veria o mundo com os mesmos olhos.

Um pouco mais tarde peguei “O Diário de Andréa”, escrito por uma amiga de infância que foi vencida por um câncer na medula. Como me senti mal em não estar com ela nos momentos finais, ou mesmo ao seu lado lhe dando forças, carinho a amor quando precisava, quando sentia medo e solidão.

Aprendi que não posso com todas as literaturas.

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