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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Para Moisés Moraes Filho (by Gian)

Não posso dizer, como a maioria dos torcedores, que tive somente um time desde que nasci, ou seja, não sou Fluminense desde sete de Janeiro de 1975. Meu pai é Botafogo, e como o via e ainda o vejo como herói, como o homem mais completo que já conheci, tive uma infância botafoguense, com direito inclusive a ser fotografado quando criancinha com a camisa alvinegra de estrela amarelada no peito. Alias, pra ser mais verdadeiro, ainda tenho um pedacinho do coração botafoguense, e onde está escrito que não podemos torcer por dois times?
Contudo, hoje sou Fluminense. E isso graças a outro grande homem: meu vovô Moisés.
Locutor da mais popular estação de rádio de Nova Friburgo e dono de um carisma sem igual, vovô Moisés foi o responsável pela minha virada de casaca aos cinco anos de idade, quando o Fluminense conquistou mais um de seus inúmeros títulos estaduais.
Vovô era o cara que puxava as carreatas da cidade quando o Flu era campeão, íamos num caminhão com uma imensa bandeira tricolor a balancear pelos ares; eu pequenino agarrado nas suas pernas pra não cair, ele de pé, com um microfone nas mãos a proliferar sua belíssima voz, ora gritando para os transeuntes para juntarem-se a nós, ora cantando o hino do clube. Era impossível não ser Fluminense. Vovô me fazia ver aquelas três cores como um passaporte para a felicidade, ouvir aquele hino como uma música de uma guerra já conquistada. Éramos campeões e superiores sempre. Na minha cabeça tudo relativo ao Fluminense era mais bonito.
Quando vovô foi para o céu uma parte de meu “eu” torcedor também se foi. Nunca abandonei meu Flu, mas a alegria já não era a mesma de antes.
Ontem, nos momentos finais do jogo, inexplicavelmente, voltou àquela mesma alegria dos tempos da torcida em companhia de vovô, parecia que ele estava aqui em Niterói comigo, revirando e massageando as próprias mãos e estalando os dedos num nervosismo sem fim, de um jogo batalhado que custa a terminar, e aí, no apito final do árbitro, vinha aquela espontânea gargalhada de "eu sabia"; e ele vinha me abraçar.
Lembrei de muita coisa. Ontem foi dia especial na terra e no céu. Obrigado meu Flusão, muito obrigado vô Moisés, ontem vocês me fizeram derramar lágrimas.

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