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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Pobreza (by Fabi)

Desde que me entendo por gente, passo por privações materiais. Não consegui adquirir ainda esse ou aquele bem material, mas sinceramente, não acho que isso seja fundamental em minha vida hoje, até pq priorizo outras coisas. Acho que de todas as camadas sociais existentes, devo me encaixar em C ou D. Não sei. E diante disso tudo, sinto que sou intelectualmente privilegiada, sou uma pessoa "antenada", ligada à educação, às artes, aos livros, vivo num meio que respira discussões políticas, enfim, acho que tenho bom gosto. Em nossa sociedade, somos, diariamente, levados a "ter" mais. E isso é o que faz a roda capitalista girar. Mas pq estou escrevendo sobre isso? Fiquei chocada há um tempo atrás ao ler em um jornal, uma matéria que relatava o preconceito nojento de um jornalista de uma afiliada da rede Globo em Santa Catarina (Estado com um histórico de preconceito social mais antigo do que eu e vcs juntos), sobre o crescimento do número de pobres que estavam adquirindo veículos e com isso causavam transtornos no trânsito. O cara é contra a popularização de um bem que antes só os ricos tinham acesso.

"Hoje, qualquer miserável tem um carro. O sujeito jamais leu um livro, mora apertado em uma gaiola - que hoje chamam de apartamento - não tem nenhuma qualidade de vida, mas tem um carro na garagem."

Vergonhoso. Vexatório. Ultrajante. Num país que cresce à olhos vistos, diante do mundo, sabermos que um homem teoricamente, intelectualmente privilegiado, que trabalha num veículo formador de opiniões, que é a TV, usar o que seria um benefício para as classes mais baixas, como uma afronta pessoal é algo que beira o surreal. O pobre hoje experimenta emoções, tem perpectivas, que antes lhe eram negadas, como viajar de avião, comprar seu carro zero, ter acesso à tecnologia, à Internet.
Lembro bem em meados da década de 80, qdo Darcy Ribeiro, Leonel Brizola e Niemayer projetaram os CIEPs, o "frisson" que aquilo causou. Lia-se em jornais que eles queriam criar uma escola de 1º mundo num país de 3º, que os CIEPs eram caros demais para a "massa".
Darcy respondeu "Pq o pobre não pode ter acesso a uma educação de qualidade? Uma educação de horário integral, nos moldes europeus?"
Na última semana, abri um site da Internet e me deparei com a seguinte frase de uma atriz global falando do lançamento de seu livro e do quanto odeia escrever para a classe C/D:

"Eu descrevo os personagens, o perfume, as roupas, se é Ungaro ou Valentino. Meus personagens não são nunca pobres, são sempre ricos. Eu não sei escrever pra gente pobre. Eu detesto."

Ahhh façam-me o favor!!! Alguém, por favor, avise a essa Sra., que o pobre que ela tanto abomina, não tem o menor interesse em ler a obra de uma drogada em tratamento constante, uma mulher que, com certeza, faz terapia 7 dias por semana, pq não suporta a própria vida que leva. O que um ser humano desses pode querer passar para alguém através da literatura? Será que ela tem alguma coisa à acrescentar à vida de alguém? Tola, digna de pena.
Nosso país está mudando. E isso incomoda àqueles que estão no alto. Que sempre estiveram acostumados a ver o mundo e às pessoas de cima.
Avisem, por favor, à esses dois idiotas citados no meu post, que a tendência, é piorar (pra eles, é claro!). O povo vai continuar tendo seus olhos e ouvidos abertos, até o momento em que esse país possa oferecer uma vida digna a cada brasileiro que antes vivia à margem da pobreza, sem acesso aos livros, à tecnologia.
É...O Brasil está mudando a cara. Haja visto a indignação da elite.

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